Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência nas políticas brasileiras contra HIV e Aids

Médico sanitarista liderou em 1983 o primeiro programa de combate à Aids na América Latina e defendeu o tratamento gratuito pelo SUS.

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência nas políticas brasileiras contra HIV e Aids

Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, reconhecido por sua atuação na criação de políticas públicas de enfrentamento ao HIV e à Aids no Brasil. A causa da morte não foi divulgada.

Em 1983, Teixeira liderou a criação, em São Paulo, do primeiro programa de combate à Aids na América Latina. A iniciativa adotou atendimento especializado e defesa dos direitos humanos e da dignidade dos pacientes.

Essas diretrizes foram estabelecidas durante o início da epidemia de HIV/Aids, marcado por incertezas científicas, pânico moral e estigmatização. Naquele período, a doença era associada principalmente a homens gays e bissexuais. A associação reforçou o preconceito contra a população LGBTQIA+ e a falsa percepção de que o vírus estaria restrito a determinados grupos.

Atuação nacional e internacional

Nos anos 2000, Teixeira comandou o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Também foi diretor do departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS) e consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O médico defendeu o acesso universal ao tratamento. Em 1996, a oferta ampla e gratuita de medicamentos antirretrovirais foi consolidada por uma lei que garantiu a todos os pacientes o direito ao tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Ministério da Saúde publicou neste sábado uma nota de pesar. Para a pasta, a trajetória de Teixeira ajudou a fortalecer o SUS, ampliar o acesso ao cuidado e aos medicamentos antirretrovirais e promover uma abordagem baseada na ciência, no respeito e na garantia de direitos.

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também lamentou a morte. A instituição afirmou que Teixeira foi um dos responsáveis pela resposta brasileira ao HIV/Aids.

O médico Táki Cordás, coordenador multidisciplinar do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, também se manifestou: “Perde-se um grande médico humanista. É uma grande dor que estou sentindo no momento”.

Desde 1982, quando a epidemia de Aids chegou ao Brasil, 1,6 milhão de pessoas conviveram com o HIV no país. Desse total, 1,1 milhão de casos progrediram para Aids, segundo o DataSUS. Até o fim de 2024, 402 mil pessoas morreram em decorrência da doença.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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