A proposta que pretendia alterar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil não é de Flávio Bolsonaro (PL). O projeto foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que hoje tenta voltar à Câmara dos Deputados pelo PP e declarou apoio ao candidato.
A discussão voltou a circular na reta final da eleição presidencial, nesta quinta-feira (24), com a alegação de que setores evangélicos ligados a Flávio estariam articulando a retirada do título. O candidato negou a intenção em vídeo e afirmou: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”.
O que previa a proposta
O projeto de lei 2.623/2007 propunha mudanças na Lei 6.802/1980. A expressão “Padroeira do Brasil” seria substituída por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto também previa a troca de “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
Na Comissão de Educação e de Cultura, Átila Lira (PP-PI) apresentou parecer pela rejeição. O relatório foi aprovado por unanimidade, e o projeto acabou arquivado.
Galli se define como “bolsonarista raiz”. Onze anos depois de conhecer Jair Bolsonaro, foi nomeado assessor especial da Presidência da República durante o governo do ex-presidente. Ele deixou o cargo em junho de 2019, após condenação por declarações ofensivas contra a comunidade LGBTI+.
Em abril, Galli e Flávio participaram juntos de um evento agro, no qual o ex-deputado chamou o presidenciável de “amigo”. Flávio, porém, não demonstrou publicamente que o apoio fosse recíproco.
Repercussão política
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou nesta sexta-feira (25) que considera esdrúxula a proposta e disse que qualquer tentativa de recolocar o tema em debate por Flávio ou aliados deve ser acompanhada com cautela e atenção. Ela também ressaltou que o projeto foi apresentado por Galli e já está arquivado.
Jandira Feghali (PCdoB) também comentou o caso e disse que a proposta não avançou porque foi apresentada durante o governo Lula.
A associação do projeto à família Bolsonaro já havia ocorrido na eleição presidencial de 2022. Na ocasião, uma montagem atribuía a Jair Bolsonaro a intenção de acabar com o feriado de 12 de outubro e retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira. A informação foi considerada falsa, e Flávio negou que o pai tivesse esse objetivo.







