A carreira de Rick foi marcada por mais de 600 músicas registradas em seu nome, parcerias com Renner e composições gravadas por artistas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Gino & Geno e João Paulo & Daniel. O cantor morreu aos 59 anos após a queda de um helicóptero em Urubici, na Serra de Santa Catarina.
A aeronave transportava cinco pessoas e seguia para São Joaquim, onde Rick teria um almoço com o prefeito da cidade, na segunda-feira (21). Também estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o copiloto Leopoldo Barros Teixeira e o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo.
O helicóptero saiu da Costa Esmeralda, em Porto Belo, às 11h. Depois, perdeu comunicação com as torres de controle em meio a chuva, vendaval e tempo fechado em municípios catarinenses. Por volta das 16h, o Corpo de Bombeiros foi chamado para atender ao desaparecimento da aeronave.
A Polícia Militar e a Força Aérea Brasileira (FAB) participaram das buscas, que seguiram durante a madrugada. Os destroços foram localizados no dia seguinte. As cinco pessoas que estavam no helicóptero morreram.
Investigação do acidente
A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da queda e verificar se houve conduta humana dolosa ou culposa que possa ter contribuído para o acidente. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também apura as possíveis causas.
Ainda não foram divulgados o horário exato da colisão nem o trajeto completo feito pela aeronave. Também não está esclarecido se houve tentativa de pouso, falha em algum componente, problema durante o voo ou queda repentina. Uma eventual mudança de percurso por causa do clima também será analisada.
O sepultamento de Rick ocorreu em Sorocaba, São Paulo, na quinta-feira (24), em uma cerimônia reservada a familiares e amigos. O velório de Bruno Avelar foi realizado na quarta-feira. A família de Antônio Roberto Nóbrega de Araújo informou que o velório do piloto ocorreu em Campo Belo, São Paulo. Não foram divulgados os locais das cerimônias de Paulo Soares e Leopoldo Barros Teixeira.
Homenagens e vida pessoal
Geralda Helena, viúva do cantor, relembrou que os dois começaram o relacionamento na adolescência, em meados dos anos 1980, quando Rick já cantava em bares. Eles tiveram dois filhos e quatro netos.
“Como eu me despeço de você depois de 42 anos?”, escreveu Geralda Helena. Em outra mensagem, ela afirmou que o casal passou junto por dificuldades, conquistas e diferentes fases da vida.
Cantores do sertanejo também se manifestaram. Daniel disse que não imaginava estar passando por um momento tão triste. Chitãozinho & Xororó lembraram parcerias e citaram as canções “Página de Amigos” e “Eu Menti”, compostas por Rick. Leonardo afirmou que o mundo sertanejo estava em luto e recordou ter gravado músicas do artista.
Dupla com Renner
Rick recebeu influência do pai, que também era compositor e participou da formação artística do filho no interior do Tocantins. Em meados dos anos 1980, ele formou com Renner a dupla que levaria suas canções a diferentes regiões do Brasil.
A parceria começou em Brasília, no Distrito Federal. Os dois se apresentavam em bares e gravaram um LP independente. Depois de serem apresentados por Zezé Di Camargo & Luciano ao produtor Manoel Nenzinho Pinto, chegaram à gravadora Continental.
O primeiro disco teve músicas como “Preciso te Encontrar”, “Você Decide” e “Mal de Amor”. Mais tarde, a dupla se mudou para São Paulo. A consagração veio em 1998, com o álbum Mil Vezes Cantarei, que trouxe “Ela é Demais”, a música mais ouvida da dupla nas plataformas de streaming.
Em 1999, o álbum Instante Mágico reuniu “Muleca”, “Cara-de-Pau”, “Fim de Semana” e “Na Pontinha do Pé”, esta última com o grupo Molejo. Em 2003, Rick & Renner lançaram um acústico com “O Amor e Eu” e “Paixão de Peão”, além do primeiro DVD.
Até 2007, a dupla havia vendido mais de 7 milhões de discos e fazia cerca de 150 shows por ano. No fim de 2010, depois de cerca de 25 anos juntos, 16 CDs e dois DVDs, os artistas anunciaram uma pausa. Rick passou a usar o nome artístico Rick Sollo e lançou Pronto pra te Amar (2011) e Foi Deus… (2015). Renner seguiu na música gospel.
O reencontro aconteceu em 2018, oito anos depois, com o CD Seguir em Frente, pela Radar Records, e uma turnê de mesmo nome. Em 2020, durante a pandemia, a dupla realizou lives beneficentes que somaram mais de 4 milhões de acessos.
Nos últimos anos, Rick & Renner lançaram “Estou Aqui!” (2024), “Porque o Bruto Chora” (2025) e “O Caçador” (2026). A dupla estava em turnê com o show Em Nome da Música. A última apresentação divulgada ocorreu em Sorriso, no Mato Grosso, em 19 de setembro, dois dias antes do acidente.







