Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Vorcaro afirma que doações a Tarcísio e Bolsonaro foram propina, mas delação foi negada

Ex-banqueiro atribuiu os repasses de 2022 a uma negociação ligada ao Credcesta; citados negam irregularidades e vínculos com ele.

Vorcaro diz que doações a Tarcísio e Bolsonaro em 2022 eram propina
Foto: Reprodução/Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo/Breno Esaki/Metrópoles

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que as doações feitas em 2022 para as campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro foram parte de uma negociação de propina. Dos R$ 5 milhões mencionados, R$ 2 milhões teriam sido destinados ao governador de São Paulo e R$ 3 milhões ao ex-presidente.

A proposta, no entanto, foi negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. No fim de agosto, Vorcaro também pediu para prestar depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal. A delação foi recusada pela terceira vez, sob a justificativa de ausência de fatos novos.

Segundo o relato, os valores seriam contrapartidas financeiras de um suposto ajuste indevido com Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio. A negociação estaria relacionada à manutenção do Credcesta no governo paulista.

Vorcaro disse que Augusto Lima, sócio do banco responsável pelas articulações para expandir o Credcesta, tentou garantir a continuidade do negócio com o governo de São Paulo diante da provável eleição de Tarcísio. De acordo com o depoimento, o pagamento seria feito inicialmente em dinheiro. Depois, partidos parceiros teriam exigido doações oficiais.

O depoimento ocorreu em 27/8, na penitenciária da Papudinha, e foi conduzido por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. Dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de um integrante do Ministério Público, acompanharam a oitiva.

Negativas

Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e afirmou que nunca tratou de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Também negou ter recebido valores em espécie ou qualquer doação de Vorcaro, Lima ou Thiago Botelho.

A assessoria de Tarcísio informou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. O governador negou vínculo com o doador citado e disse não ter conhecimento prévio de condutas alheias à campanha.

A defesa de Augusto Lima não comentou as acusações e classificou as informações como absurdas.

O governo de São Paulo negou qualquer irregularidade ou favorecimento no credenciamento da PKL Credcesta para operar crédito consignado. Segundo a administração estadual, não existe contrato entre o governo e a instituição financeira, e o credenciamento depende do cumprimento de requisitos objetivos previstos em lei.

A gestão Tarcísio informou que a PKL responde por 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados em operações de consignado do Estado, o equivalente a R$ 21,5 milhões. Antes da liquidação pelo Banco Central, o percentual teria chegado a 5,26%, ou R$ 33 milhões.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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