Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Derretimento do gelo do Ártico estabiliza após 2010, aponta estudo da NASA

Pesquisa analisou dados de satélite de 1979 a 2023 e identificou maior influência das condições atmosféricas sobre a duração do derretimento.

Derretimento do gelo do Ártico estabiliza após 2010, aponta estudo da NASA
Foto: SL_Photography/iStock

A temporada de derretimento do gelo marinho no Ártico deixou de se prolongar na mesma velocidade observada nas décadas anteriores e permanece relativamente estável desde 2010. A conclusão é de um estudo liderado pela NASA e publicado na revista Communications Earth & Environment, com base em observações de satélite realizadas entre 1979 e 2023.

Atualmente, o período de derretimento dura cerca de 40 dias a mais do que em 1979. A maior parte desse aumento aconteceu antes de 2010. Desde então, porém, a duração média se manteve relativamente estável, apesar das grandes diferenças registradas de um ano para outro.

Por que a duração mudou

Os pesquisadores avaliaram as datas em que o gelo começa a derreter na primavera e volta a congelar no outono. A principal alteração ocorreu porque o congelamento passou a acontecer mais tarde, e não porque o derretimento começou mais cedo.

A equipe também analisou o balanço energético do Ártico, que considera o calor recebido do Sol, da atmosfera e do oceano, além da radiação infravermelha devolvida ao espaço. Durante a perda acelerada de gelo nos anos 2000, a redução da cobertura expôs áreas maiores de água escura. Essas superfícies absorvem mais luz solar, retêm mais energia e atrasam o congelamento.

Hoje, uma parcela significativa do gelo é mais jovem e fina do que o gelo plurianual que ocupava uma área maior do oceano. Por isso, a cobertura se tornou mais vulnerável a mudanças na nebulosidade, nas tempestades e nos ventos. A partir de 2010, alterações nos padrões de nuvens reduziram a luz solar recebida por algumas regiões do Oceano Ártico. O resultado foi uma variação maior entre os anos, sem mudança significativa na média de períodos mais longos.

“Anteriormente, havia mais desse gelo plurianual que não derretia durante o verão”, explicou Linette Boisvert, coautora do estudo e cientista de gelo do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA. Segundo ela, a menor espessura do gelo aumentou a variabilidade.

Possível pausa antes de nova perda

A estabilização não significa que o aquecimento do planeta deixou de afetar o Ártico. A região continua aquecendo quase quatro vezes mais rápido que a média global, enquanto o gelo marinho restante é consideravelmente mais fino do que era décadas atrás.

O estudo aponta que as condições climáticas de cada ano passaram a ter mais influência sobre a duração do derretimento. Essa situação pode ser temporária. Ainda há gelo espesso durante todo o ano ao norte da Groenlândia e no Arquipélago Ártico Canadense. Se esse gelo continuar afinando, poderá começar uma nova fase de perda acelerada, com novo prolongamento da temporada de derretimento.

Os pesquisadores defendem a continuidade das observações por satélite e do acompanhamento do balanço energético que controla o crescimento e o derretimento do gelo. Ainda não está definido se a estabilidade recente será duradoura ou se representa uma pausa antes de outra transformação acelerada.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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