Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Professor avalia que discurso de Lula na ONU terá pouco efeito prático

Ricardo Leães afirma que mudanças dependem de capacidades concretas dos países, e não apenas de declarações em conferências internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, a partir desta terça-feira (22), da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Candidato à reeleição, ele fará um discurso durante a conferência, a menos de duas semanas das eleições presidenciais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falará em seguida.

Para Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, a fala de Lula pode ter importância política, mas não deve provocar mudanças concretas para o Brasil. Em entrevista, ele afirmou que um discurso, mesmo relevante, não costuma produzir transformações substanciais sem mudanças nas estruturas de poder.

“Eu acredito mais no poder concreto dos países, nas capacidades econômicas, financeiras, industriais, tecnológicas, militares, do que efetivamente num discurso”, disse Leães.

O professor lembrou que, no ano passado, também havia expectativa em torno da participação de Lula na ONU, em meio à ameaça de tarifas anunciadas por Trump. Segundo Leães, a situação não avançou porque o presidente norte-americano falou na sequência, rompeu o protocolo e declarou que havia se encontrado com Lula e que entre os dois tinha ocorrido uma “química”.

Na avaliação do pesquisador, Trump pode repetir esse tipo de comportamento, alternando ameaças e gestos amistosos. Ele citou como exemplos as relações do presidente dos Estados Unidos com a Coreia do Norte e a Rússia.

Leães também analisou a possibilidade de Lula defender a soberania brasileira durante o discurso. Para o professor, essa posição só teria efeito prático se o país tivesse condições econômicas, financeiras, industriais, tecnológicas e militares para resistir a pressões de grandes potências, especialmente dos Estados Unidos.

“Soberania é ter capacidade de dizer não e resistir aos contra-ataques que vêm das grandes potências”, afirmou. Na avaliação dele, embora a defesa da soberania seja uma postura relevante, o discurso, sozinho, não tornaria o Brasil um país soberano e autônomo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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