Centenas de diplomatas se reuniram no início de setembro, em uma conferência da ONU, para discutir o primeiro tratado internacional destinado a regular o uso de armas autônomas letais. Durante as negociações, Estados Unidos e Rússia trabalharam para retirar salvaguardas previstas no documento.
Entre as mudanças, foi eliminada a exigência de supervisão humana sobre o uso de armamentos com inteligência artificial. Também foram removidos os termos que determinavam que os sistemas funcionassem de maneira previsível e confiável, além de uma cláusula sobre a consideração de aspectos éticos no emprego dessas armas.
A atuação dos diplomatas norte-americanos e russos ocorreu no contexto de discussões impulsionadas por episódios de comportamentos inesperados de agentes de inteligência artificial. Os representantes dos dois países trabalharam no texto com o mesmo objetivo de retirar as disposições de proteção.
Posição do governo dos EUA
A conduta dos Estados Unidos nas negociações acompanha a posição adotada pelo governo do país sobre os riscos da inteligência artificial. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump minimizou os alertas relacionados à tecnologia durante um discurso na Assembleia Geral da ONU.
Na ocasião, Trump rejeitou a ideia de uma cooperação global para frear o avanço da inteligência artificial e afirmou que a Casa Branca quer vencer a corrida tecnológica.
No campo militar, o governo dos EUA também havia entrado em conflito com a Anthropic em relação ao uso da inteligência artificial. A Justiça decidiu a favor da Casa Branca nesse embate.
O Departamento de Estado dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia e a Organização das Nações Unidas não fizeram comentários públicos sobre a retirada das salvaguardas do documento.







