Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

IA vira foco de disputa entre governos e empresas na ONU

Debate reúne alertas sobre segurança, propostas de desaceleração e divergências entre Estados Unidos, China e empresas de tecnologia.

IA vira foco de disputa entre governos e empresas na ONU

A inteligência artificial será discutida em uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, em meio a divergências entre governos e empresas sobre segurança, ritmo de desenvolvimento e controle da tecnologia.

A discussão ocorre em 22 de setembro de 2026, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas. O tema ganhou espaço depois de alertas sobre falhas de segurança, riscos para os direitos humanos e a disputa entre Estados Unidos e China pela liderança tecnológica.

Empresas divergem sobre o ritmo da IA

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo em 12 de setembro no qual afirmou que os modelos de IA estão avançando rapidamente por causa do chamado autoaperfeiçoamento recursivo. Ele propôs uma desaceleração coordenada entre as empresas do setor.

Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da SpaceXAI, e Demis Hassabis, ex-CEO do Google DeepMind, concordaram com a proposta. Altman disse, em uma postagem no X, que desacelerar não significa interromper o desenvolvimento, mas assumir os custos de auditorias e testes de segurança.

Em entrevista à Fortune, Altman também afirmou que a OpenAI não fará uma oferta pública de ações em 2026. A segurança e os riscos das tecnologias de inteligência artificial foram apontados como motivo para adiar a operação.

Mark Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, rejeitaram a ideia de uma desaceleração coordenada. Zuckerberg afirmou que os laboratórios têm incentivos financeiros e jurídicos para desenvolver sistemas seguros. Huang disse que a segurança é um problema de engenharia e que as leis existentes já tratam da confiabilidade dos produtos.

Estados Unidos e China trocam críticas

Donald Trump minimizou os possíveis riscos da IA e defendeu que os Estados Unidos mantenham a liderança sobre a China. Para a administração norte-americana, a posição de liderança tecnológica está ligada à segurança nacional.

Pequim respondeu ao artigo de Amodei por meio de um editorial do Global Times. O jornal estatal classificou a proposta como um “manual da Guerra Fria” para conter o avanço chinês e preservar a hegemonia tecnológica dos Estados Unidos.

O governo chinês, porém, também reconhece riscos associados à tecnologia. Chen Yixin, ministro da Segurança, defendeu a aceleração da criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à IA. Ele também pediu cooperação internacional e chamou a inteligência artificial de novo campo de rivalidade estratégica.

ONU pede regras compartilhadas

Em 14 de setembro, o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, afirmou que a autorregulação voluntária é “extremamente insuficiente”. Para ele, nenhum país deve governar a tecnologia sozinho, e nenhuma empresa pode decidir isoladamente quais riscos a sociedade deve aceitar.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que os riscos do avanço acelerado da IA não podem ser ignorados. A ONU trabalha na criação de um fórum para que os países desenvolvam um entendimento comum e discutam segurança, direitos humanos e desigualdade de acesso.

Guterres comparou o cenário à corrida armamentista da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ele defendeu que países com maior capacidade em IA, incluindo Estados Unidos e China, troquem informações e estabeleçam diretrizes comuns para evitar uma corrida sem controle.

O segundo mandato de cinco anos de Guterres termina em 31 de dezembro, enquanto a sucessão permanece indefinida.

Líderes e executivos na Assembleia Geral

Por tradição, o Brasil abre os discursos da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos. Lula e Trump devem falar nessa sequência. Xi Jinping deve enviar um representante, mas participará na quarta-feira de um jantar com Trump em Washington.

Entre os convidados estão Jeff Bezos, Elon Musk, Sam Altman, Jensen Huang, Sundar Pichai, Michael Dell e Jane Fraser. Tim Cook, que deixou o cargo de CEO da Apple, também foi chamado. Pichai é CEO do Google, e Fraser comanda o Citigroup.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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