Cientistas da Southern Illinois University Carbondale (SIU), nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema que transforma resíduos plásticos e agrícolas em ingredientes comestíveis. Com engenharia genética aplicada a leveduras, a técnica produz proteínas, vitaminas, aromatizantes, gorduras e ácidos.
A Nasa também participou da pesquisa. Os primeiros resultados foram apresentados em agosto, durante a reunião de outono da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês).
Como funciona
Antes da ação das leveduras, os resíduos são fragmentados com água e oxigênio submetidos a alta temperatura e pressão. Esse processo facilita a atuação dos microrganismos. Em seguida, as leveduras geneticamente modificadas convertem os materiais em compostos que podem ser usados na preparação de alimentos.
Para criar os biscoitos, os compostos são combinados com fibras, amido e adoçante. A mistura é colocada em uma impressora 3D, que produz os alimentos chamados de microbites ou µBites.
A proposta foi desenvolvida considerando dois problemas: a poluição causada pelo plástico e a insegurança alimentar. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia também poderia ser aplicada em locais com poucos recursos e em missões tripuladas ao espaço, onde a disponibilidade de comida é mais limitada.
As avaliações realizadas até agora indicam que o consumo dos microbites é seguro. Ainda não foram feitos testes formais de degustação, porque os cientistas aguardam autorização.
“Os micróbios são muito inteligentes. Portanto, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos”, afirmou Lahiru Jayakody, professor envolvido no projeto, em comunicado.
Segundo Jayakody, a demanda global por alimentos deverá crescer entre 35% e 56% até 2050. Ele também afirmou que cerca de 30% da população mundial poderá estar em risco de passar fome no futuro e defendeu o uso de microrganismos como uma possível solução.







