Pesquisadores desenvolveram um material que combina partículas de rocha, gelatina e levedura geneticamente modificada para produzir estruturas por impressão 3D em condições semelhantes às de Marte. A proposta é usar a matéria-prima disponível no planeta e reduzir a energia necessária para futuras construções.
A ideia foi apresentada em um estudo publicado na quinta-feira (10), no periódico Chem Circularity. As partículas minerais funcionam como base estrutural. A gelatina mantém os componentes unidos e oferece um ambiente favorável às células. Já a levedura foi modificada para produzir proteínas adesivas inspiradas na capacidade dos mexilhões de se fixarem às rochas.
Como o material é formado
Depois que a mistura deixa a impressora, o frio e a baixa pressão simulados pelos pesquisadores provocam um processo semelhante à liofilização. A água congela e passa diretamente do estado sólido para o vapor. O resultado é uma estrutura com pequenos espaços internos, leve e porosa, semelhante a uma espuma endurecida.
Nos experimentos, a equipe produziu pequenas cúpulas com 45 milímetros de altura e 30 milímetros de largura. O material suportou uma resistência à compressão entre 10 e 12 megapascais, desempenho comparável ao de concretos de baixa resistência.
A técnica também pode consumir menos energia do que métodos que exigem aquecer ou fundir rochas e poeira marcianas para transformá-las em tijolos. A abordagem aproveita microrganismos e o frio do planeta, sem depender diretamente de fornos para processar a matéria-prima.
Outro possível benefício é o reaproveitamento. As estruturas poderiam ser desmontadas e processadas novamente, enquanto as leveduras recuperadas seriam cultivadas em biorreatores para produzir novos lotes.
Limites do experimento
Os testes foram realizados na Terra, em ambientes que reproduzem apenas algumas características de Marte. Ainda é necessário avaliar se as leveduras funcionariam nas condições reais do planeta, incluindo radiação prolongada, frio extremo e baixa pressão.
A receita também depende de gelatina e levedura modificada, componentes que precisariam ser enviados da Terra ou produzidos com recursos disponíveis em Marte. Por isso, o estudo é uma prova de conceito. Serão necessários testes em ambientes mais realistas, estruturas maiores e análises sobre a durabilidade do material antes de qualquer aplicação prática.







