Após semanas sem chuva, as primeiras pancadas podem deixar ruas e rodovias mais escorregadias. Resíduos acumulados durante a estiagem se misturam à água e reduzem o contato entre os pneus e o pavimento, aumentando o risco de perda de controle do veículo.
O químico Kaiki Chaves, professor de Química do Colégio Oficina do Estudante, em Campinas, explica que óleos e outras substâncias hidrofóbicas permanecem na parte superior da água por não se misturarem com ela. “É como o efeito água e óleo: o óleo fica em cima por ser menos denso, o que deixa o asfalto mais escorregadio e faz o asfalto e o pneu perderem atrito e aderência”, afirma.
Quando o risco é maior
A possibilidade de derrapagem aumenta nos primeiros minutos da chuva, quando a água começa a carregar poeira, óleo, combustível e outros materiais acumulados na pista. Fluidos de radiador, matéria orgânica, folhas, fezes de animais e partículas de borracha também podem interferir na aderência.
A água sozinha já pode provocar aquaplanagem em velocidades elevadas, formando uma camada entre o pneu e o pavimento. Com óleo e outros resíduos, esse filme pode aparecer mesmo em velocidades menores. Curvas, descidas e cruzamentos exigem atenção adicional porque demandam mais aderência durante frenagens e manobras.
Quanto maior o período sem chuva, maior tende a ser o acúmulo de poeira e resíduos. O volume de veículos também pode contribuir para a presença de óleo, partículas e borracha, embora o efeito dependa das condições de cada via. Com a continuidade da precipitação, a superfície tende a ficar mais limpa e recuperar a aderência habitual.
Como dirigir
O professor Paulo Cesar Marques da Silva, da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Engenharia de Transportes, recomenda reduzir a velocidade, ampliar a distância para o veículo da frente e verificar os pneus. Sulcos desgastados prejudicam o escoamento da água, e a calibragem inadequada pode afetar o comportamento do veículo.
“Em caso de perda de aderência ou aquaplanagem, a orientação é aliviar gradualmente a pressão sobre o acelerador, sem frear bruscamente.” Em chuvas muito fortes, a recomendação é parar em um local seguro e esperar a melhora das condições da pista.







