SANTA CATARINA — Um tsunami meteorológico fez o mar avançar rapidamente sobre áreas do litoral sul de Santa Catarina na manhã desta segunda-feira (21). O fenômeno atingiu principalmente Jaguaruna, Laguna e Imbituba, onde foram registrados alagamentos, danos em estruturas e deslocamento de embarcações.
A elevação ocorreu por volta das 6h, em meio à instabilidade atmosférica no Sul do Brasil. Em diferentes pontos, a água invadiu ruas e áreas próximas à costa, levando areia e outros materiais.
Em Jaguaruna, a Defesa Civil informou que a água avançou cerca de duas quadras sobre a área da praia de Campo Bom. Muros foram derrubados, e as ruas ficaram com acúmulo de areia e água. Relatos locais indicaram que a invasão começou por volta das 5h40.
Na região da Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, em Laguna, pescadores foram surpreendidos pelo avanço do mar. Redes e equipamentos de pesca foram arrastados, e algumas embarcações saíram do lugar. Em um dos pontos atingidos, parte do muro de uma igreja também caiu.
Imbituba registrou danos relacionados às condições meteorológicas adversas, e equipes municipais fizeram vistorias nas áreas atingidas. Até as informações mais recentes, não havia registro de vítimas. Os danos identificados eram principalmente materiais, envolvendo edificações, vias e embarcações.
Como o fenômeno acontece
Apesar do nome, o tsunami meteorológico não é causado por terremotos nem segue o mesmo mecanismo de um tsunami convencional. Também chamado de meteotsunami, ele ocorre quando mudanças rápidas na pressão atmosférica e ventos intensos provocam uma elevação temporária e relativamente rápida do nível do mar.
No episódio em Santa Catarina, a Defesa Civil identificou uma linha de instabilidade sobre o Litoral Sul e rajadas de vento sul entre 60 km/h e 90 km/h. A combinação coincidiu com uma elevação do nível do mar registrada por marégrafos em Imbituba e Laguna.
A confirmação considerou dados de radares meteorológicos, imagens de satélite, marégrafos e registros de câmeras. Em determinadas condições, a alteração brusca da pressão e a ação dos ventos deslocam rapidamente grandes volumes de água. As características da costa podem ampliar o efeito em alguns locais, fazendo a água avançar sobre praias e áreas costeiras sem a ocorrência de um terremoto submarino.
Previsão para o litoral
A Defesa Civil de Santa Catarina classificou o episódio como raro e de difícil previsibilidade, porque a ocorrência depende da combinação de condições atmosféricas e marítimas. O Estado já teve registros semelhantes: na Praia do Cardoso, em Laguna, em 11 de novembro de 2023, e em Jaguaruna, em 2 de dezembro de 2024.
Não há indicação de um novo tsunami meteorológico nos próximos dias, mas o litoral catarinense deve continuar com mar agitado. A previsão aponta ondas de aproximadamente dois a três metros entre terça-feira (22) e quinta-feira (24), exigindo atenção de pescadores, navegadores, praticantes de esportes náuticos e banhistas.
A atmosfera permanece instável nesta segunda-feira e pode favorecer temporais durante a madrugada e a manhã de terça-feira, com possibilidade de chuva forte, raios, rajadas de vento e granizo em diferentes áreas do Estado. Depois, uma massa de ar frio e seco deve avançar por Santa Catarina, reduzindo as condições favoráveis à formação de novas linhas de instabilidade sobre o mar.







