Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Santa Catarina deve ter chuva acima da média na primavera, prevê Fórum Climático

El Niño foi classificado como muito forte, mas a Oscilação Madden-Julian pode reduzir a influência do fenômeno sobre as chuvas.

Santa Catarina deve ter chuva acima da média na primavera, prevê Fórum Climático

A primavera deve registrar chuva acima da média em Santa Catarina, com maior possibilidade de temporais, vendavais, granizo, enxurradas, inundações e deslizamentos. A previsão foi apresentada nesta terça-feira (28) pelo Fórum Climático, que reúne meteorologistas de diferentes instituições, incluindo a Defesa Civil e a Epagri/Ciram.

O grupo passou a considerar o El Niño como um fenômeno de intensidade muito forte. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa) indicam que a área monitorada no Oceano Pacífico atingiu a maior temperatura desde o início dos registros, em 1950. A anomalia está pouco acima de 3ºC e pode chegar a 3,5ºC entre outubro e novembro.

Como deve ser a primavera

Outubro, novembro e dezembro devem ter precipitação acima da média e temperaturas dentro do padrão esperado. Em outubro e novembro, o tempo mais fechado deve limitar a variação térmica, com tardes sem calor excessivo. Também não são esperados fortes veranicos, embora possa ocorrer um período curto de “inverno fora de época” na Serra.

A partir de dezembro, a chuva deve continuar acima da média. Os temporais de verão, que tendem a ocorrer de forma mais isolada, devem ficar mais frequentes, enquanto as temperaturas sobem em relação aos meses anteriores.

Até meados de outubro, o El Niño deve favorecer a formação de sistemas que provocam chuva. Depois, a Oscilação Madden-Julian deve entrar em uma fase de inibição da precipitação e deixar de reforçar os efeitos do fenômeno. Isso não significa que a chuva vai parar nas últimas semanas de outubro. Outros fatores e oscilações também apontam para a formação de chuva, principalmente nas próximas duas semanas.

Intensidade do fenômeno

A temperatura do oceano já está 2,2°C acima da média, acima do limite de 2 °C usado para classificar um El Niño como muito forte. O pico é esperado entre outubro e novembro, e as projeções indicam que o fenômeno pode continuar pelo menos até o final do outono de 2027.

As categorias são definidas assim: El Niño fraco corresponde a 0,5°C a 1,0°C acima da média; moderado, de 1,0°C a 1,5°C; forte, de 1,5°C a 2,0°C; e muito forte, acima de 2,0°C.

O termo “super El Niño” é usado popularmente quando o aquecimento ultrapassa 2°C acima da média, embora essa não seja uma classificação oficial. Segundo Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, esse patamar é elevado e pouco comum.

Desde 1950, foram registrados 25 episódios de El Niño, dos quais cinco tiveram temperaturas acima de 2ºC, conforme dados da Noaa. O intervalo entre eventos de forte intensidade também diminuiu: era superior a 10 anos entre a metade do século passado e meados do atual e caiu para oito anos na história recente.

Chuva e fatores de risco

Em Santa Catarina e no restante do Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer volumes de chuva acima da média. Um estudo da cientista Alice Grimm aponta que novembro é o mês em que os efeitos do fenômeno historicamente são mais intensos no estado.

Em novembro, anos sob influência do El Niño têm probabilidade 6,3 vezes maior de eventos extremos, contra 1,2 em períodos de La Niña. Os extremos podem se intensificar, e os dias chuvosos podem durar mais tempo que o normal.

A Defesa Civil alerta, porém, que a ocorrência de um grande desastre depende da combinação do El Niño com outras oscilações climáticas. Esse alinhamento pode favorecer a formação de nuvens carregadas, em um processo chamado de sobreposição de efeitos. Por isso, o acompanhamento precisa ser contínuo, com previsões mais precisas apenas quando o evento se aproxima.

O El Niño ocorre quando aumenta a temperatura da superfície da água em uma área do Oceano Pacífico próxima ao Peru. O aquecimento acelera a evaporação, leva umidade para a atmosfera e contribui para a formação de nuvens carregadas. A La Niña é o fenômeno oposto, marcado pelo resfriamento dessas águas e, em Santa Catarina, associada a volumes menores de chuva.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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