A previsão de um El Niño intenso entre 2026 e 2027 aponta efeitos diferentes no clima brasileiro. A tendência inclui aumento das temperaturas médias em áreas do Sudeste, maior risco de seca no Norte e no Nordeste e mais chuva no Sul do país.
Calor acima da média no Sudeste
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) estima elevação de cerca de 2°C nas temperaturas médias das regiões de Campinas e Piracicaba, em São Paulo. Em Ribeirão Preto, a alta prevista é de 2,5°C. São Carlos pode registrar aumento de 2°C, enquanto o sul de Minas Gerais tem projeção de elevação de 1,8°C.
A média, porém, não representa necessariamente o pico de calor. “Nesses períodos muito quentes, os picos de temperatura podem fazer com que a gente fique até mais de 5°C acima da média”, afirmou Giovanni Dolif, pesquisador e coordenador de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
De acordo com Gilvan Sampaio de Oliveira, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), frentes frias vindas da Argentina e do Uruguai podem ficar bloqueadas no Sul. Com menor avanço desses sistemas para o Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais podem ter temperaturas mais altas.
Possibilidade de um episódio muito forte
A intensidade do El Niño é avaliada pelo aquecimento do oceano, principalmente na região El Niño 3,4. Entre as últimas 10 ocorrências do fenômeno desde 1982, o maior aumento da temperatura do Pacífico Equatorial foi registrado em 1997, quando chegou a 3,24°C.
Uma projeção do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) indica alta probabilidade de um El Niño intenso entre 2026 e 2027. O fenômeno pode alcançar um pico de até 3,4°C e superar 3°C, com intensidade maior que a registrada em 1983.
A expressão “super El Niño” é usada para episódios muito fortes, com índice de temperatura igual ou superior a 2°C acima da média. Um monitoramento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) aponta probabilidade de 93% de intensidade muito forte entre setembro, outubro e novembro.
A NOAA ressalta que um El Niño mais intenso não produz obrigatoriamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também variam conforme os sistemas meteorológicos, a umidade do solo e as vulnerabilidades de cada área.
Chuva e atenção em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a previsão é de aumento das chuvas e de alagamentos, principalmente na primavera, que começa em 22 de setembro e termina em 21 de dezembro.
A meteorologista Laura Rodrigues, da Epagri, afirma que a preocupação está relacionada ao aumento habitual da frequência e da intensidade dos sistemas meteorológicos que provocam chuvas e tempestades durante a estação. A combinação desses fatores faz da primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do El Niño.
No Norte e no Nordeste, a tendência é de aumento do risco de seca. No Sul, o bloqueio das frentes frias pode favorecer mais chuvas.
A Proteção e Defesa Civil recomenda acompanhar os alertas de tempestades com possibilidade de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas. Durante chuva persistente e com altos volumes, a orientação é evitar o contato com a água e não passar por locais alagados, pontes ou pontilhões submersos.
Em situações de movimentos de massa, a população deve observar inclinação de postes e árvores, movimentação de terra ou rochas perto da residência e rachaduras em muros e paredes. Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, a recomendação é buscar abrigo longe de árvores, placas e objetos que possam ser lançados pelo vento.







