FLORIANÓPOLIS — A primavera será o período de maior atenção para Santa Catarina por causa da combinação entre a maior frequência de temporais na estação e a intensificação do El Niño. A estação começa no dia 22 de setembro, e os modelos meteorológicos indicam chuva acima do normal no trimestre, principalmente em outubro e novembro, segundo a Defesa Civil de SC.
O boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta seis regiões catarinenses com maior propensão a episódios de chuva extrema entre setembro e novembro, com base na análise de anos sob influência de El Niño forte ou muito forte. Entre elas estão o Vale do Itajaí, a Grande Florianópolis e o Sul catarinense.
Previsões para os próximos meses
Nessas áreas, a projeção indica possibilidade maior de chuvas intensas e de grandes volumes acumulados em poucos dias. Segundo o Inmet, esse cenário pode favorecer cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos. O instituto ressalta, porém, que a maior propensão não significa que eventos extremos ou desastres necessariamente vão ocorrer.
A atualização de setembro do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) mantém a previsão de um El Niño intenso entre 2026 e 2027. No auge do fenômeno, a anomalia da temperatura do oceano pode chegar a cerca de 3,4°C.
A meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, afirmou que os maiores valores estão concentrados na previsão para outubro ou novembro, o que representa uma intensificação mais rápida que a indicada no cenário de agosto. O boletim do Inmet divulgado em 1º de setembro estima probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre setembro e novembro e permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
Para setembro, a previsão do Inmet é de chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. Já a projeção trimestral da Epagri/Ciram indica que os maiores excessos no estado devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.
Chuva e frio marcaram agosto
O mês terminou com volumes de chuva acima da média e recordes na Região Sul, conforme nota técnica do Inmet divulgada na última sexta-feira (4). O instituto associou o resultado à influência do El Niño e à passagem de sistemas frontais que ficaram semiestacionários durante alguns dias.
No Rio Grande do Sul, Jaguarão acumulou 337,4 milímetros, recorde para agosto. Bagé registrou 288,2 milímetros, também recorde, enquanto Santa Vitória do Palmar chegou a 258,8 milímetros. Em algumas áreas, os volumes ultrapassaram 150 milímetros e ficaram mais de 100 milímetros acima da média histórica.
Em Florianópolis, a estação do Norte da Ilha registrou 141,8 milímetros entre 28 de agosto e a manhã de 1º de setembro, de acordo com a Defesa Civil e a Epagri/Ciram. O acumulado em quatro dias superou o volume esperado para todo agosto, estimado entre 90 e 110 milímetros.
Apesar das temperaturas elevadas em grande parte do Brasil durante o mês, o Inmet identificou queda acentuada das mínimas entre os dias 23 e 24. No dia 23 de agosto, os desvios ficaram abaixo de -6°C em grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
As menores temperaturas do país em agosto foram registradas em São José dos Ausentes (RS), com -3,7°C; General Carneiro (PR), com -2,8°C; Soledade (RS), com -1,8°C; e Caxias do Sul (RS), com -1,3°C.
Segundo a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 já havia apresentado períodos de chuva acima da média e maior frequência de tempestades severas. A previsão de intensificação do El Niño aumenta a atenção para a primavera catarinense.








