Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Brasil

El Niño reforça risco de calor e chuva intensa no Sul do Brasil

Boletim do Inmet prevê até cinco ondas de calor entre setembro e novembro e aponta atenção para extremos de chuva em Santa Catarina.

El Niño reforça risco de calor e chuva intensa no Sul do Brasil

O fortalecimento do El Niño aumenta a atenção para dois efeitos no Brasil entre setembro e novembro: a possibilidade de até cinco ondas de calor e a ocorrência de chuvas intensas em áreas do Sul. As projeções foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na última terça-feira (1º).

A previsão indica temperaturas acima da média em grande parte do país durante o trimestre. O Inmet, porém, não descarta quedas acentuadas nos termômetros em setembro, provocadas pelo avanço de massas de ar frio.

Calor acima da média

O Brasil pode registrar de três a cinco ondas de calor no período. Em anos sem El Niño, a média esperada é de dois a três episódios. O painel do Inmet aponta que a presença do fenômeno está associada, estatisticamente, a uma onda de calor adicional, em média, na comparação com anos considerados normais.

A quantidade de ondas de calor também cresce gradualmente desde o começo da série histórica, em 1979, independentemente da ocorrência do fenômeno. O boletim relaciona esse avanço, muito provavelmente, à influência do aquecimento global.

O El Niño pode chegar a uma intensidade popularmente chamada de “super” a partir deste mês. A expressão não é uma classificação científica e costuma ser usada para episódios muito fortes, quando a temperatura fica em 2°C ou mais acima da média. Na projeção do Inmet, a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte supera 90% entre setembro e novembro.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 69% de probabilidade de o El Niño 2026/2027 ser o mais intenso desde 1950, com anomalias que podem passar de 2,5°C. A previsão é de que o fenômeno continue ativo pelo menos até o início de 2027. A NOAA ressalta, no entanto, que maior intensidade não significa necessariamente impactos mais fortes em todas as regiões.

Chuva e impactos no Sul

Na Região Sul, a combinação de chuva e temperaturas acima da média deve manter alta a disponibilidade de água no solo e diminuir o risco de geadas tardias. O excesso de umidade pode favorecer doenças nas lavouras, dificultar a colheita, afetar a qualidade dos grãos e atrasar o plantio das culturas de verão.

O boletim do Inmet também aponta maior propensão a episódios de chuva extrema em seis regiões de Santa Catarina entre setembro e novembro. Entre as áreas citadas estão o Vale do Itajaí, a Grande Florianópolis e o Sul catarinense. Em episódios de El Niño forte ou muito forte, esses locais apresentam maior possibilidade de chuvas intensas e grandes acumulados em poucos dias, condição que pode favorecer cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.

No Rio Grande do Sul, o sinal de aumento dos extremos é mais consistente, especialmente em episódios prolongados. No Paraná, a atenção se concentra no Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral. O Inmet reforça que a indicação representa maior propensão a situações críticas, e não uma confirmação de que eventos extremos ocorrerão.

Primavera exige atenção em Santa Catarina

A primavera começa em 22 de setembro. Conforme a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 teve volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.

A estação normalmente apresenta maior frequência e intensidade dos sistemas que provocam chuvas e temporais em Santa Catarina. “A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño”, diz a nota da Defesa Civil.

Para setembro, o Inmet prevê chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. A Epagri indica que os maiores excessos de chuva no estado devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.

O El Niño ocorre quando aumenta a temperatura da superfície da água em uma área do Oceano Pacífico próxima ao Peru. O aquecimento libera mais calor para a atmosfera e altera a circulação dos ventos e os padrões de chuva. O resfriamento dessas águas recebe o nome de La Niña, que tende a produzir, em Santa Catarina, chuvas em menor volume.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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