Um estudo publicado na revista Nature identificou 1.260 variantes genéticas associadas aos cinco principais traços de personalidade. Os genes explicaram entre 4,8% e 13,3% da variação observada, dependendo da característica analisada e da confiabilidade do método de medição.
Os traços avaliados foram extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura a experiências. O peso genético estimado foi de 9,3% para extroversão, 4,8% para amabilidade, 7,1% para conscienciosidade, 8,3% para neuroticismo e 7,4% para abertura. Com instrumentos mais confiáveis, a influência chegou a 13,3% no caso da extroversão.
A pesquisa reuniu dados de 46 grupos, cada um com entre 611.037 e 1,14 milhão de participantes. Foram analisados genomas de pessoas com ancestralidade europeia e africana. Entre as variantes encontradas, 824, equivalentes a 65%, ainda não tinham sido associadas à personalidade.
Para separar os efeitos genéticos daqueles ligados ao ambiente familiar, os cientistas analisaram informações de 50.725 parentes próximos. A pesquisa também usou dados do Add Health, nos Estados Unidos, e do UK Biobank.
Relações com comportamento e moradia
Variantes associadas a menor propensão ao neuroticismo e maior propensão à extroversão, à amabilidade e à abertura a experiências apareceram com mais frequência entre pessoas consideradas de personalidade atraente por entrevistadores. A maior propensão à amabilidade e à conscienciosidade foi relacionada à percepção de uma aparência mais bem cuidada.
Em uma análise com 419.261 participantes do UK Biobank, perfis ligados à abertura a experiências indicaram maior probabilidade de morar em áreas urbanas e cosmopolitas aos 50 anos. Já os associados à conscienciosidade foram relacionados a uma chance maior de mudança para subúrbios de classe média-alta na mesma idade.
Os autores também encontraram indícios de que a extroversão aumenta o risco de infecção por Covid-19. A conscienciosidade, por sua vez, foi associada à redução do índice de massa corporal e da chance de começar a fumar.
Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que os efeitos genéticos não determinam a personalidade de uma pessoa. A comparação entre previsões genéticas dentro das famílias e em nível populacional apresentou semelhança de 96%, indicando pouca influência de fatores ambientais compartilhados entre parentes nos traços analisados. Para escolaridade, a proporção foi de cerca de 60%; para capacidade cognitiva, de cerca de 80%.





