Dar descarga pode liberar aerossóis e bioaerossóis no ar do banheiro. Uma revisão conduzida por pesquisadores da Universidade Flinders identificou partículas na altura da respiração de adultos em alguns estudos. A pesquisa será publicada no dia 15 de setembro no periódico Science of the Total Environment.
O trabalho analisou 22 estudos sobre partículas produzidas durante a descarga. Parte das pesquisas adicionou microrganismos ou organismos substitutos à água do vaso sanitário; outra parte observou o fenômeno em condições normais, sem esse acréscimo.
A descarga provoca turbulência, que pode levar partículas para o ar ao redor. “Alguns estudos detectaram esses aerossóis na altura da respiração de adultos, indicando uma possível via de exposição por inalação”, explicou Lira Adiyani, autora principal do estudo e doutoranda da Universidade Flinders, em comunicado.
O que influencia a dispersão
A concentração de aerossóis variou conforme as condições dos experimentos, as características dos vasos sanitários e os métodos usados para coletar as amostras. A quantidade de micróbios presentes no vaso também foi apontada como um fator relevante: quanto maior essa presença, maior a possibilidade de formação de aerossóis.
As maiores concentrações foram encontradas perto do vaso, principalmente na altura do assento. A ventilação e a posição da tampa não tiveram relação significativa com os níveis de aerossóis, mas podem influenciar a maneira como as partículas se espalham pelo banheiro.
O volume da descarga também foi considerado importante. O estudo indica que vasos projetados para usar menos água, ou a opção de menor volume em modelos com descarga dupla, podem reduzir a produção de aerossóis. As partículas permaneceram suspensas no ar por pelo menos 20 segundos após a descarga.
Como precaução, Lira Adiyani recomendou fechar a tampa antes da descarga quando houver uma disponível. A medida pode reduzir a exposição por inalação, mas não impede completamente a dispersão.
Os pesquisadores também destacam a importância de limpar regularmente o vaso e as superfícies próximas e lavar as mãos depois do uso. Essas medidas podem ajudar a reduzir a contaminação microbiana e a possível exposição a doenças causadas por micróbios.





