O El Niño continua se fortalecendo no Oceano Pacífico e pode atingir, até o fim do ano, a maior intensidade já registrada. A projeção consta no boletim de setembro da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, que indica 75% de chance de o fenômeno superar os registros históricos. No mês passado, essa probabilidade era de 69%.
A instituição também aponta mais de 90% de chance de um evento muito forte entre a primavera e o verão. As águas superficiais do oceano estão 1,8ºC acima da média, e a possibilidade de esse aquecimento ultrapassar 2ºC até dezembro é de cerca de 95%.
Risco de chuvas mais intensas no Sul
O fortalecimento do fenômeno deve ocorrer durante uma fase naturalmente chuvosa em Santa Catarina e em todo o Sul do Brasil, entre a primavera e o verão. O aumento da temperatura do oceano eleva a possibilidade de eventos climáticos extremos e pode deixar as precipitações mais intensas nas cidades catarinenses.
Isso, porém, não significa que o estado terá necessariamente os maiores estragos já registrados. Para a ocorrência de um grande desastre relacionado às chuvas, outros fatores climáticos e meteorológicos também precisam atuar em conjunto.
Alice Grimm, cientista que pesquisa o tema, afirma em um artigo que oscilações oceânicas e atmosféricas em diferentes escalas de tempo precisam estar alinhadas para que os impactos mais graves ocorram. A combinação observada durante a catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024 reuniu El Niño, oscilações favoráveis e efeitos das mudanças climáticas.
Por precaução, cidades e o governo do Estado divulgaram ações para se preparar para as chuvas do segundo semestre.
O que é um super El Niño
A classificação “super El Niño” não existe oficialmente. O termo é usado popularmente quando a temperatura do oceano fica acima de 2ºC da média, segundo Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil. Desde 1950, cinco dos 25 episódios de El Niño tiveram registros acima desse patamar, conforme dados da Noaa.
O levantamento também indica que o intervalo entre eventos fortes diminuiu. Entre a metade do século passado e meados do atual, passaram-se mais de 10 anos entre um episódio e outro. Na história recente, o intervalo caiu para oito anos. Caso o próximo aquecimento ultrapasse 2ºC, a pausa será de menos de cinco anos.
A classificação do fenômeno é dividida em quatro níveis: fraco, de 0,5°C a 1,0°C acima da média; moderado, de 1,0°C a 1,5°C; forte, de 1,5°C a 2,0°C; e muito forte, acima de 2,0°C.
Relação com as chuvas
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño ocorre quando aumenta a temperatura da superfície da água em uma área do Oceano Pacífico próxima ao Peru. A água evapora mais rápido, o ar quente sobe e a umidade favorece a formação de nuvens carregadas.
A circulação dos ventos associada ao fenômeno interfere no deslocamento das frentes frias pelo Hemisfério Sul. Com isso, elas podem permanecer concentradas por mais tempo na região Sul do Brasil. O resfriamento dessas águas recebe o nome de La Niña e, em Santa Catarina, está associado a chuvas em menor volume.







