A Matemática foi a área de pior desempenho do Brasil no Pisa 2025. O país ficou na 71ª colocação, com 377 pontos — resultado igual ao de 10 anos atrás e dois pontos abaixo do registrado em 2022. A média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de 463 pontos.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 8, pela OCDE, responsável pela avaliação de estudantes de 15 anos. A edição reuniu informações de 91 países e economias e analisou Ciências, Matemática, Leitura e Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas.
Matemática concentra as maiores dificuldades
Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em Matemática. Na OCDE, esse índice foi de 65%. Nesse patamar, o aluno consegue interpretar matematicamente uma situação simples sem receber instruções diretas, como comparar a distância entre duas rotas ou converter preços para outra moeda.
Quem fica abaixo do nível 2 enfrenta dificuldades em tarefas cotidianas, como relacionar unidades e preços durante uma compra ou interpretar uma conta de luz. Quase nenhum estudante brasileiro atingiu os níveis 5 ou 6, classificados como de alto desempenho.
A diferença entre o Brasil e os países da OCDE diminuiu ao longo do tempo, mas continua significativa. Em 2006, os estudantes brasileiros tinham 131 pontos a menos que os alunos da organização. Em 2025, a distância era de 92 pontos.
Resultados nas outras áreas
Em Leitura, o Brasil ficou na 52ª posição, com 408 pontos. O resultado foi dois pontos menor que o de 2022, quando a pontuação havia sido 410, e ficou próximo dos 407 pontos registrados há 10 anos. Para a OCDE, a variação é estatisticamente estável.
Cerca de 49% dos alunos brasileiros alcançaram ao menos o nível 2 em Leitura, diante de 69% na OCDE. Os estudantes nesse patamar conseguem compreender textos simples do cotidiano, localizar informações, relacionar dados e começar a diferenciar fatos de opiniões.
A distância em relação à OCDE nessa área também diminuiu. Em 2006, era de 102 pontos; em 2025, passou para 58 pontos. No ranking, o Brasil ficou atrás do Chile, na 37ª posição, e do Uruguai, na 42ª.
Em Ciências, os brasileiros alcançaram 409 pontos e ficaram na 67ª posição. O resultado superou os 401 pontos de 2015 e os 403 de 2022. Foi o maior avanço do país entre as áreas avaliadas na última década, com crescimento de 8 pontos.
Quase metade dos estudantes, 48%, atingiu pelo menos o nível 2 em Ciências. Esses alunos conseguem reconhecer explicações para fenômenos familiares e verificar se uma conclusão é válida com base nas informações apresentadas. Ainda assim, os estudantes têm dificuldade para usar os conhecimentos de maneira mais elaborada, avaliar evidências e fundamentar decisões.
O Brasil ficou na 69ª posição em Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais, com 406 pontos. Essa foi a primeira vez que a competência foi avaliada pelo Pisa. Os estudantes conseguem interagir de maneira superficial com ferramentas digitais e fazer pequenas alterações em programas simples. Em uma das tarefas, por exemplo, podiam fazer uma garra robótica mover um objeto.
Estabilidade brasileira e queda internacional
A OCDE classificou o Brasil como país de baixo desempenho em Ciências, Matemática e Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. Em Leitura, o país ficou abaixo da média, um patamar superior, mas ainda inferior ao dos países da organização.
O Brasil ampliou significativamente sua participação no exame e manteve estável o desempenho dos estudantes desde 2015. No mesmo período, houve queda em algumas áreas em outros países. Entre os países que aumentaram a cobertura do Pisa, apenas Camboja, República Dominicana e El Salvador registraram melhora em alguma das três áreas tradicionais.
Nos países mais ricos, 20% dos estudantes de 15 anos tiveram baixo desempenho simultaneamente em Leitura, Matemática e Ciências, ante 16% em 2022. A maior queda ocorreu em Leitura, observada em três quartos dos sistemas educacionais entre 2018 e 2025.
Dinamarca, Noruega, Espanha e Suécia registraram perdas superiores a 20 pontos desde a edição anterior. Todos os países do topo caíram em Leitura, com exceção do Reino Unido, que manteve a mesma nota.
O relatório relaciona as quedas à perda de concentração e atenção dos estudantes e à redução do hábito de leitura em um ambiente cada vez mais digital e marcado pela inteligência artificial.
Avaliação do Ministério da Educação
Em análise divulgada a jornalistas, o Ministério da Educação afirmou que o Brasil apresentou maior estabilidade e recuperação após a pandemia de covid-19 do que a média da OCDE. “Entre 2018 e 2025, o país recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em Ciências”, declarou o ministério, que também destacou perdas menores que a média da organização em Leitura e Matemática.
No recorte de cerca de duas décadas, o relatório cita o Brasil como exemplo de avanço no desempenho e de promoção da equidade. Em Ciências, a diferença para a OCDE caiu de 113 pontos em 2006 para 77 pontos em 2025.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE, afirmou no prefácio do relatório que o Brasil ampliou as oportunidades educacionais ao mesmo tempo em que melhorou seus resultados no Pisa.








