Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Educação

Pisa 2025 mostra desafios para estudantes brasileiros em ciências, matemática e leitura

Maioria dos alunos não chega ao nível básico de proficiência; desigualdade socioeconômica também aparece nos resultados de ciências.

Pisa 2025 mostra desafios para estudantes brasileiros em ciências, matemática e leitura
Foto: Folhapress

Os resultados do Pisa 2025 mostram que a maioria dos estudantes brasileiros não alcançou o nível 2 de proficiência, considerado pela OCDE o mínimo necessário para a participação plena na sociedade. O país ficou abaixo da média da organização em matemática, leitura e ciências.

Na avaliação, 52% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico em ciências, 72% em matemática e 51% em leitura. A proporção de alunos que atingiram o nível 2 ou superior foi de 48% em ciências, 28% em matemática e 49% em leitura.

O que os estudantes conseguem fazer

Em ciências, o nível 2 corresponde a uma pontuação mínima de 410. Nesse patamar, o aluno consegue interpretar fenômenos científicos conhecidos, analisar conclusões com base em dados apresentados e separar explicações científicas de explicações que não têm esse caráter.

A área foi a prioritária na edição de 2025. O percentual de brasileiros que alcançaram ao menos esse nível passou de 45% em 2022 para 48%. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da média de 74% registrada nos países da OCDE. Nos níveis 5 e 6, que envolvem problemas mais complexos e situações menos familiares, apenas 1% dos estudantes brasileiros chegou ao desempenho esperado, contra 7% na média da organização.

Em matemática, 28% dos alunos atingiram o nível 2 ou superior, ante 65% na OCDE. Em 2022, eram 27%. Os estudantes nesse patamar conseguem representar matematicamente situações simples do cotidiano, como comparar a distância de duas rotas ou fazer a conversão de preços para outra moeda.

Nos níveis 5 e 6, praticamente nenhum estudante brasileiro alcançou a faixa mais alta, enquanto a média da OCDE foi de 8%. Essas tarefas exigem a construção de modelos matemáticos e a comparação de estratégias para resolver problemas complexos.

Em leitura, 49% dos estudantes chegaram ao nível 2 ou acima, contra 69% na média da OCDE. Em 2022, o percentual brasileiro era de 50%. Nesse nível, o aluno identifica a ideia central de um texto de extensão moderada, encontra informações específicas e reflete sobre o conteúdo, a estrutura e a finalidade da leitura quando recebe orientações claras.

No nível 5 ou superior, 1% dos brasileiros atingiu o desempenho, ante 6% na média da OCDE. As atividades dessa faixa envolvem textos longos e complexos, além da análise de conceitos abstratos e da distinção entre fatos e opiniões com base em informações diretas e indiretas.

Como o desempenho é avaliado

O Pisa apresenta problemas inspirados em situações do mundo real. A proposta é verificar se o estudante consegue aplicar conhecimentos em contextos diferentes daqueles vistos diretamente em uma aula ou em um exercício comum. Por isso, as questões pedem interpretação de informações e elaboração de conclusões, e não apenas a lembrança de definições ou o uso automático de fórmulas.

Em um exemplo de ciências, o aluno assume o papel de prefeito de uma cidade fictícia e precisa escolher uma fonte de energia para substituir um gerador a diesel. Para decidir, deve comparar dados sobre geração e custos de alternativas eólica, solar, hidrelétrica e a gás.

Entre os itens divulgados pela OCDE estão uma questão sobre fast fashion, que exige avaliar a confiabilidade de uma fonte; outra sobre raios, que pede a explicação para o relâmpago ser visto antes do trovão; e uma sobre parque eólico, em que o estudante deve apontar um benefício ambiental da energia dos ventos.

Também há atividades sobre o efeito do aumento da população da mosca-soldado-negro, o grupo de animais com maior risco de extinção e problemas provocados pela falta de energia, como falhas em semáforos, riscos para pacientes em suporte de vida, ausência de iluminação e perda de alimentos refrigerados.

Diferenças entre os estudantes

A condição socioeconômica está associada ao desempenho em ciências. A diferença entre os 25% de estudantes brasileiros mais ricos e os 25% mais pobres foi de 96 pontos. Na média da OCDE, a distância foi de 85 pontos.

Entre 2022 e 2025, a pontuação média do Brasil subiu 6 pontos em ciências e recuou 2 pontos em matemática e 2 pontos em leitura. A metodologia do Pisa indica que variações desse tamanho podem estar dentro da margem de erro da amostra. Assim, os dados não permitem concluir que houve uma mudança real no desempenho dos estudantes, mantendo o país próximo dos resultados das edições anteriores.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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