A participação dos próprios estudantes em escolhas, apresentações e debates tem sido usada por escolas para aproximar adolescentes e crianças dos livros. As atividades incluem clubes de leitura, círculos literários e projetos em que alunos mais velhos contam histórias para os mais novos.
Leitura com participação dos alunos
Na Escola Estadual Paulo Octávio Azevedo, na zona sul de São Paulo, a professora de português Anaídes Silva passou a apresentar e contextualizar as obras antes da leitura. Em 2025, ela aproveitou a repercussão de um vídeo de uma influenciadora norte-americana lendo “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, para trabalhar o livro em sala.
Os estudantes mostraram o vídeo à professora, que conduziu uma leitura dirigida da obra. Para Silva, as redes sociais não precisam ser tratadas como inimigas, embora o uso excessivo de telas faça parte das mudanças na atenção dos alunos.
Na rede particular de Belo Horizonte (MG), a professora Andrea Maggi combina clássicos e obras contemporâneas. As turmas discutem os livros antes e depois da leitura, relacionando temas das obras com o presente e imaginando como os personagens seriam na era digital.
Alunos como mediadores
Na Emef Ruy Barbosa, escola municipal da zona norte de São Paulo, o projeto Mediadores da Leitura envolve alunos do 6º ao 9º ano em apresentações para crianças mais novas, que estão em fase de alfabetização. Os estudantes do ensino fundamental 2 escolhem os títulos e contam as histórias aos colegas.
Guilheme, 13, aluno do 8º ano, afirma que passou a ler mais depois de participar do projeto. Ana Claudia, 13, diz que a atividade ajuda a perder a vergonha e a desenvolver a leitura em voz alta.
A professora de português e coordenadora Vanusa Rosa Ferreira considera importante que os alunos tenham autonomia para escolher os livros e participar do planejamento. A escola também mantém um clube de leitura para estudantes a partir do 4º ano do ensino fundamental. Nesse grupo, os participantes decidem coletivamente as obras que serão lidas.
Discussão além da sala de aula
No Vera Cruz, colégio particular da zona oeste de São Paulo, o círculo de leitura ocorre até duas vezes por trimestre. Os alunos do 6º ao 9º ano escolhem um título de uma lista, fazem um fichamento e apresentam a obra para a turma.
Mariana, 12, conta que a atividade a coloca em contato com livros que provavelmente não escolheria. Segundo Clara Remkus, coordenadora de língua portuguesa dos anos finais do ensino fundamental do colégio, o formato também permite discutir quando um leitor não gosta ou desiste de uma obra.
Bibliotecas como porta de entrada
As visitas a bibliotecas também fazem parte das estratégias. A Biblioteca Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, recebe, em média, 11 escolas por mês.
O espaço oferece sala de leitura, quadrinhos, mangás, jogos de tabuleiro, videogames, computadores e outras atividades. Wellington Custódio, coordenador de atendimento e mediação, afirma que a instituição busca receber crianças e adolescentes que ainda não desenvolveram o hábito de ler.
Computadores e videogames podem ser usados pelo público geral, mas há limite de tempo. A regra procura estimular o interesse por outras atividades da biblioteca.
Wagner Alan, 14, aluno do 8º ano no CEU Emef Jaguaré, conheceu o local em uma visita escolar. Fã de livros sobre histórias de guerras, ele esperava encontrar apenas uma biblioteca e se surpreendeu com a sala de jogos, os videogames e o auditório.







