A desigualdade socioeconômica teve impacto maior no desempenho em ciências no Brasil do que em outros países com resultados próximos no Pisa 2025. Entre 12 países com notas na faixa de 393 a 420 pontos, o Brasil registrou a maior distância entre os grupos de maior e menor nível socioeconômico.
A diferença brasileira foi de 96 pontos. Os estudantes no grupo de menor nível socioeconômico alcançaram média de 380 pontos, enquanto aqueles no grupo de maior nível tiveram cerca de 476 pontos. A média do país foi de 409, diante de 482 na OCDE.
Comparação entre países
Colômbia, com 93 pontos, Equador, com 86, e Argentina, com 82, apareceram depois do Brasil nessa comparação. Cazaquistão e Jordânia tiveram as menores diferenças do grupo, com 41 e 42 pontos, respectivamente.
Considerando todos os países da OCDE, a diferença média entre os grupos socioeconômicos foi de 85 pontos. Na Alemanha, o intervalo chegou a 125 pontos, o maior entre os países da organização com dados disponíveis. No Canadá, foram 59 pontos.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos matriculados em escolas de países e economias participantes. Em 2025, ciências foi a área escolhida para a análise mais detalhada do exame, que aprofunda uma disciplina a cada edição.
Como a escala é calculada
A classificação socioeconômica não é feita diretamente pela renda familiar. A OCDE utiliza o índice de nível econômico, social e cultural, conhecido pela sigla ESCS em inglês. O indicador considera a escolaridade e a ocupação dos pais ou responsáveis, além de recursos disponíveis em casa, como livros, espaço para estudar e acesso à internet.
No Brasil, 35% dos estudantes estavam no quartil socioeconômico internacional mais baixo, enquanto 14% estavam no mais alto. Os dois quartis intermediários reuniam 29% e 23% dos estudantes.
A origem socioeconômica respondeu por 16% da variação no desempenho brasileiro em ciências, acima dos 12% registrados entre os países da OCDE. Apenas 10% dos alunos brasileiros entre os 25% de menor nível socioeconômico chegaram ao grupo de melhor desempenho, ante 12% na média da organização.
Entre 2022 e 2025, a diferença entre os grupos aumentou 5 pontos no Brasil. Em um grupo de referência de 35 países da OCDE, a média caiu 13 pontos. A variação negativa brasileira ocorreu também na Turquia, com 7, e nas Filipinas, com 26.







