O desempenho médio dos estudantes dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi o pior já registrado nas três áreas avaliadas pelo Pisa 2025: ciências, leitura e matemática. O Brasil permaneceu praticamente estagnado na última década e continua abaixo da média do grupo.
Divulgado nesta terça-feira (8), o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes compara o desempenho de alunos de 15 anos em diferentes sistemas educacionais. A prova é aplicada a cada três anos. Nesta edição, ciências foi a área de maior destaque.
A OCDE informou que os resultados continuam em queda em muitos países após a redução sem precedentes registrada em 2022. O relatório aponta problemas estruturais na educação global e afirma que o desempenho médio dos países da organização atingiu o menor nível observado até agora.
Desempenho dos países da OCDE
Para a comparação histórica, foi considerada a média de 23 países que integram a OCDE desde o primeiro ciclo da avaliação, realizado em 2000. Em ciências, esses países tiveram média de 486 pontos em 2025, uma redução de 17 pontos em relação a 2006. Em leitura, a média foi de 466 pontos, 29 abaixo do resultado de duas décadas atrás. Em matemática, a média chegou a 469 pontos, com perda de 32 pontos no período.
Considerando os 38 países que atualmente fazem parte da organização, as médias foram de 482 pontos em ciências, 461 em leitura e 463 em matemática.
Uma diferença de 20 pontos na média do Pisa corresponde, segundo a avaliação, à progressão de um ano de aprendizagem. Com base nessa comparação, os estudantes desses países estão aprendendo, em média, um ano e meio a menos de conteúdo em matemática e leitura do que os jovens da mesma idade aprendiam há 20 anos.
Nas três áreas, 29% dos jovens de 15 anos dos países da OCDE tiveram desempenho abaixo do esperado para a idade. Em 2022, essa proporção era de 25%.
Mais de 760 mil estudantes de 15 anos, em 91 países e regiões, fizeram a prova em 2025. No Brasil, participaram mais de 30 mil jovens. A edição também avaliou a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais.
Brasil mantém resultados próximos aos de 2015
O Brasil não apresentou oscilações significativas na última década. Em ciências, a média foi de 409 pontos, ante 401 pontos em 2015. Em matemática, o resultado foi de 377 pontos, exatamente o mesmo de dez anos antes. Em leitura, a média chegou a 408 pontos, apenas um ponto acima do resultado de 2015.
O relatório afirma que a estabilidade dos resultados brasileiros se mantém há mais de uma década em todas as áreas. O país, porém, permanece em um nível baixo: 43,8% dos estudantes brasileiros tiveram desempenho abaixo do esperado nas três áreas, contra 29% na OCDE.
Em matemática, 72% dos jovens brasileiros não alcançaram o patamar esperado, ante 35% na OCDE. Em ciências, foram 52% no Brasil e 26% na organização. Em leitura, a proporção brasileira ficou em 51%, enquanto a da OCDE foi de 31%.
De acordo com o relatório, os estudantes abaixo do nível esperado têm dificuldades para realizar tarefas como interpretar um problema matemático, identificar uma explicação científica baseada em evidências e localizar informações explícitas em um texto simples.
Os dados também mostram quedas nas taxas de acerto em tarefas que exigem avaliar informações, refletir criticamente e integrar evidências. O relatório registrou aumento de respostas rápidas e incorretas, classificadas como casos de leitura apressada.
Brasil fica em 67º lugar em ciências
Apesar de uma pequena melhora na média de ciências, o Brasil ficou em 67º lugar no ranking da área, seis posições abaixo da colocação obtida em 2022. O país ficou atrás de Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.
As províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, identificadas como B-S-J-Z, lideraram ciências, com média de 597 pontos. Singapura ficou em segundo lugar, com 37 pontos a menos. Macau, na China, alcançou 541 pontos; Taipei, também na China, teve 540; e o Japão, 538.
Em matemática, a liderança também foi das províncias chinesas B-S-J-Z, com 612 pontos. Em leitura, Singapura ficou na primeira posição, com 535 pontos.







