Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Educação

Professor questiona escolas cívico-militares e relaciona evasão à exclusão escolar

Daniel Cara afirma que o modelo defendido por Ronaldo Caiado restringe a voz dos estudantes e critica a política educacional paulista.

O professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), relacionou o aumento da evasão na rede estadual paulista à falta de políticas de permanência e às condições das escolas. Ele também criticou a proposta de escolas cívico-militares defendida pelo presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).

Em entrevista, Cara afirmou que o termo abandono escolar pode esconder um processo de exclusão. Na avaliação dele, quando um estudante deixa a escola no último ano do ensino médio, o caso não deve ser tratado apenas como uma decisão individual, mas como um problema ligado à qualidade da educação oferecida.

Entre 2024 e 2025, o estado perdeu mais de 256 mil estudantes. A redução foi mais acentuada no ensino médio, com destaque para o abandono no último ano. Para o professor, as escolas não oferecem condições adequadas e o governo estadual tem adotado medidas que prejudicam o ensino noturno, sem considerar a realidade dos jovens.

Críticas ao modelo cívico-militar

Cara reconheceu que as escolas cívico-militares podem chamar a atenção das famílias pela estrutura e pela qualidade percebida. Segundo ele, isso ocorre porque essas unidades recebem mais recursos e têm maior atenção da gestão.

O professor, porém, afirmou que o modelo limita a participação dos estudantes e prioriza a obediência em vez do desenvolvimento da autonomia. “O problema é confundir disciplina com autoritarismo”, declarou. Para Cara, disciplina é necessária em qualquer atividade humana, mas a proposta apresentada por Caiado estaria associada à intimidação.

Ele também disse que o modelo promove doutrinação e não estimula os estudantes a pensar, criar e desenvolver a própria voz. Na avaliação do professor, a voz dos alunos é cerceada nas escolas cívico-militares. Cara classificou Caiado como integrante da extrema direita.

Ao comentar a situação da rede estadual, o professor resumiu sua avaliação sobre a evasão: “As escolas são péssimas.” Ele defendeu que o debate considere a exclusão escolar e a ausência de políticas para manter os estudantes na escola.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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