Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Educação

Escolas adotam IA, mas poucas têm regras formais para orientar estudantes

Pesquisa mostra que mais da metade das escolas de ensino médio permite IA generativa, enquanto apenas 22% têm diretrizes de uso.

Escolas adotam IA, mas poucas têm regras formais para orientar estudantes

Mais da metade das escolas brasileiras de ensino médio já permite o uso de inteligência artificial generativa pelos estudantes. Apenas 22% dessas instituições, porém, têm diretrizes formalizadas de boas práticas para orientar a adoção, de acordo com a pesquisa TIC Educação 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

O levantamento também mostra que 8 em cada 10 escolas discutem formalmente os efeitos do uso de telas e tecnologias sobre a saúde mental e o comportamento dos alunos.

Tatiana Laganá, pesquisadora do Transformative Learning Technologies Lab (TLTL), da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, afirma que a combinação entre boa infraestrutura tecnológica e falta de regras pode levar a uma adoção acelerada e sem organização. Para ela, o letramento digital também deve ser trabalhado sem o uso direto de máquinas.

O principal risco, segundo a pesquisadora, é o descarregamento cognitivo: quando o estudante entrega à inteligência artificial toda a operação intelectual e deixa de exercer o pensamento crítico e a autoria.

Experiências nas escolas

No Colégio Magno/Mágico de Oz, em São Paulo, o uso orientado de ferramentas como o NotebookLM é adotado nos estudos em casa. Maria Fernanda Simão, aluna do 7º ano, afirma que a ferramenta ajuda a tirar dúvidas, mas exige cuidado para evitar informações inventadas.

A colega Laura Queiroz prefere não usar chatbots para preservar o processo de aprendizagem. Ela afirma que receber respostas prontas pode impedir a compreensão dos conteúdos e relata que o uso da inteligência artificial como atalho para tarefas pode gerar dependência.

Nas aulas de espanhol do colégio, a professora Gisele Costa incorporou manuais de gramática e regras de conjugação às provas de consulta. A proposta é avaliar a análise crítica das fontes e a justificativa do raciocínio, em vez de cobrar apenas a memorização.

No Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, o tema é discutido nos cursos técnicos e regulares. O professor Lucas Chao diz que a instituição usa comandos guiados para ensinar os estudantes a identificar vieses algorítmicos em textos e imagens.

Já o Centro Educacional Pioneiro, na Vila Clementino, afastou os alunos do ensino fundamental de ferramentas de inteligência artificial que não explicam como chegam às respostas. A escola criou um ambiente protegido, integrado via API, para que os estudantes desenvolvam roteiros de jogos digitais com base em leituras literárias. As perguntas feitas durante o processo ficam disponíveis para os professores.

Proteção de dados e novas diretrizes

Tatiana Laganá também alerta para o envio de dados sensíveis e imagens de menores de idade a servidores no exterior. Na avaliação dela, essa prática pode violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o ECA Digital.

Em 1º de setembro de 2026, o Conselho Nacional de Educação (CNE) homologou novas diretrizes curriculares para o uso de inteligência artificial na educação básica. O documento estabelece uma matriz de riscos e proíbe o uso autônomo e sem mediação por crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental.

As normas também vetam a correção automatizada de redações e impõem restrições ao perfilamento comportamental de estudantes. Para Laganá, regras governamentais firmes são necessárias para evitar o aumento da desigualdade tecnológica entre instituições públicas e particulares.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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