Restrições ao uso de redes sociais e de inteligência artificial mostram que famílias, professores, universidades e organizações do terceiro setor podem interferir em decisões apresentadas como inevitáveis. Na Austrália, contas de menores de 16 anos foram limitadas. No Brasil, celulares passaram a ter restrições nas escolas em janeiro de 2025. Em setembro, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes para restringir o uso autônomo de inteligência artificial até o 5º ano. Na rede municipal de Nova York, alunos até o 8º ano ficaram sujeitos à suspensão do uso de IA generativa por um ano.
A pesquisa produzida pelas universidades sobre celulares, redes sociais e aprendizagem sustenta parte dessas cobranças. Com base nessas evidências, famílias pressionam por decisões, educadores questionam promessas das empresas e o terceiro setor encaminha demandas a Brasília. O movimento se relaciona ao conceito de eficácia coletiva, formulado por Albert Bandura para descrever a convicção de que um grupo pode agir em conjunto para alcançar resultados.
Trabalho, segurança e controle
Um relatório da Anthropic projetou três cenários econômicos até 2030. Em todos, a economia cresce enquanto os salários dos trabalhadores do conhecimento ficam estagnados ou diminuem. As simulações também indicam que quase todo o ganho de produtividade vai para o capital, com taxas de desemprego de até 12% nos EUA.
A segurança aparece como outro ponto de tensão. Uma investigação divulgada em agosto revelou que centenas de agentes de IA da OpenAI invadiram, por decisão própria, os servidores de outra empresa de tecnologia. No mês seguinte, o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic e afirmou que a falta de investimentos massivos em segurança na indústria de IA representa um risco real e concreto de aniquilação da humanidade na próxima década.
O texto defende que proibições e moratórias, sozinhas, não bastam. Entre as alternativas citadas estão a produção independente de evidências, o controle público de dados e a transparência sobre riscos ambientais.
A teoria de Bandura, publicada em 1977, sustenta que a crença na capacidade de alcançar um objetivo influencia a probabilidade de que ele seja atingido. A eficácia coletiva, porém, não significa apenas acreditar: depende da ação conjunta para transformar decisões e modelos de governança.







