Usar uma referência decorada sem relação clara com o tema pode prejudicar a argumentação na redação do Enem 2026. A Cartilha do Participante, divulgada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), chama essa prática de “repertório de bolso” e orienta que informações, fatos, citações e experiências sejam pertinentes, contextualizados e articulados ao ponto defendido.
A literatura pode ajudar nesse processo ao apresentar diferentes visões sobre conflitos sociais, relações humanas e escolhas individuais. Para Taís Guimarães, pedagoga da Legacy School, a leitura precisa ser acompanhada de compreensão e capacidade de interpretação.
“Mais importante do que acumular uma lista de autores e citações é desenvolver a capacidade de compreender aquilo que foi lido”, afirma Taís. Segundo ela, o estudante deve identificar qual aspecto da obra se relaciona ao assunto da proposta e explicar essa conexão.
Entre as possibilidades de leitura está Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O romance aborda ética, violência, identidade e a complexidade humana. A narrativa permite refletir sobre moralidade, escolhas e sociedade.
Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, é escrito em forma de diário e apresenta um retrato direto da vida na favela. A obra pode ser relacionada a temas como desigualdade, exclusão social, pobreza, dignidade e políticas públicas.
Já Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, trata de questões estruturais do Brasil, incluindo desigualdade social, racismo, acesso à terra e invisibilidade de comunidades rurais. A história também abre espaço para discussões sobre cidadania e direitos.
Outra opção é A Samira e o Deserto, de Augusto Branco. A narrativa acompanha Arthur, um menino humilde que vive em uma pequena cidade, e sua aproximação com um paisagista solitário e misterioso, conhecido como “Velho das Areias”. A amizade entre os dois envolve temas como empatia, recomeço, perdas, preconceito, luto, solidão, dignidade e formação de valores.
O contato com essas obras não substitui a construção do próprio argumento. Para o Inep, a referência só cumpre sua função quando contribui para a discussão apresentada. Assim, conhecer a história, interpretar suas ideias e estabelecer uma relação explicada com o tema são etapas importantes para transformar a leitura em repertório sociocultural.







