A preparação para a redação do Enem deve combinar produção de textos, análise das correções e revisão dos principais erros. Na reta final, o estudante precisa direcionar os estudos para as dificuldades que aparecem com mais frequência, em vez de apenas aumentar o número de horas dedicadas à prova.
A redação exige domínio da norma-padrão, compreensão do tema, organização das ideias, construção de argumentos e uso de repertório sociocultural. Conhecimentos de outras disciplinas, como Filosofia e Sociologia, podem contribuir para a argumentação quando são relacionados de forma adequada à proposta apresentada.
Daniela Toffoli, professora de Redação do Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School e do Colégio Anglo São Paulo, afirma que o aluno não precisa acumular referências na reta final. O mais importante, segundo ela, é saber utilizar os repertórios que já domina em diferentes contextos e transformá-los em argumentos.
Prática e correção
A recomendação é produzir uma redação completa por semana, com controle do tempo. A atividade ajuda a manter o ritmo de escrita sem provocar exaustão e permite que o estudante se prepare para dividir o período da prova entre a redação, as questões de Linguagens e Ciências Humanas, a revisão e o preenchimento do gabarito.
Depois de escrever, é necessário reservar tempo para ler a correção. A professora orienta que o estudante observe cada competência e responda a três perguntas: qual foi o erro, por que ele aconteceu e como evitá-lo no próximo texto. Registrar os pontos fracos desde a primeira produção também ajuda a perceber se houve apenas um deslize ou se a dificuldade se repete.
Repertório e proposta de intervenção
A busca por referências deve considerar temas presentes no debate público e questões sociais vigentes. Entre os autores citados como possibilidades estão Zygmunt Bauman, Hannah Arendt, Byung-Chul Han e Djamila Ribeiro. A orientação é testar os repertórios mais conhecidos em diferentes propostas, priorizando o domínio sobre as referências.
A proposta de intervenção também merece atenção. Na conclusão, é preciso apresentar agente, ação, meio, finalidade e detalhamento para enfrentar o problema discutido. Esses elementos podem ser esquecidos mesmo quando o estudante domina o conteúdo.
Outra estratégia é ler textos de opinião em artigos de bons jornais. A prática ajuda a observar formas de argumentar com clareza e a reunir referências, analisando o texto também com o olhar de quem escreve.
Daniela Toffoli ainda destaca a importância de respeitar os limites psicológicos durante a preparação. Para ela, chegar ao exame descansado e com a cabeça tranquila faz parte do desempenho na redação.







