SÃO PAULO — As olimpíadas escolares deixaram de se concentrar apenas nas disciplinas de exatas e passaram a incluir língua portuguesa, história, geografia, filosofia, robótica, astronomia e conhecimentos sobre foguetes. Voltadas a estudantes dos ensinos fundamental e médio, as competições também são usadas por escolas para estimular o raciocínio, ampliar o repertório e desenvolver estratégias de resolução de problemas.
Além da preparação específica oferecida por algumas instituições, os resultados em olimpíadas podem abrir caminho para o ingresso direto em universidades públicas. A Unicamp foi a primeira a criar a chamada vaga olímpica e foi seguida por USP e Unesp, entre outras instituições. No Impa Tech, graduação especializada em tecnologia e inovação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada lançada em 2024, 80% das vagas são destinadas a estudantes com os melhores desempenhos em diferentes competições, como as olimpíadas brasileiras de Matemática e de Física.
Participação começa mais cedo
As Olimpíadas de Conhecimento são destinadas a alunos do 6° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. Também existem olimpíadas de entrada, voltadas a estudantes do 2º ao 5º ano do ensino fundamental. Nessas provas, a dificuldade é adaptada à série, com questões fáceis, médias e difíceis para tornar a experiência mais atrativa.
Para Idelfranio Moreira, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Educação, os desafios graduais favorecem a mentalidade de crescimento e ajudam a resgatar a cultura de estudo na escola.
A dimensão dessas competições aparece nos números da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog). Segundo João Canalle, astrônomo e coordenador dos dois eventos, elas reúnem, por ano, mais de 1,65 milhão e 362 mil participantes, respectivamente. Na OBA, apenas 5% dos alunos recebem medalhas.
Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), menos de 1% dos participantes conquistam medalhas. A Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) reúne estudantes que já passaram por competições regionais ou foram medalhistas na Obmep.
Foco pedagógico e acolhimento
Miguel Ribeiro, professor associado na Faculdade de Educação da Unicamp e coordenador do CIEspMat, afirma que a participação é benéfica quando não se limita ao treinamento para obter resultados. “É muito bom as escolas terem esse tipo de proposta, mas com a ressalva de não treinar os alunos somente para eles irem bem nas olimpíadas”, disse.
Segundo Ribeiro, famílias devem investigar a finalidade pedagógica das competições e verificar se a escola pretende apenas formar indicadores com medalhistas ou se usa as provas para ampliar o repertório dos alunos. Também é importante observar como a equipe acolhe estudantes após resultados insatisfatórios e se há turmas de preparação sem exigência de desempenho prévio.
O professor recomenda atenção a sinais de estresse, já que o estudante pode sentir pressão quando seu nível é muito diferente do que é exigido. Para João Canalle, a OBAFog também prioriza o trabalho em equipe e a aplicação prática de física e aerodinâmica em um formato lúdico. A competição pode oferecer bolsas de iniciação científica júnior pelo CNPq e certificados reconhecidos por universidades.
Como as escolas organizam as atividades
Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Educação lançou, em 2025, o projeto Escolas Olímpicas, com aulas preparatórias aos sábados em unidades selecionadas. Em junho deste ano, o governo do estado instituiu o Programa Olimpíadas do Conhecimento, que oferece materiais didáticos específicos, apoio pedagógico e formação continuada dos professores.
O programa é voltado a alunos do 6° ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio e inclui competições como a Olimpíada de Matemática do Estado de SP (Omasp) e a Olimpíada de Língua Portuguesa (Olisp). A OMASP Mirim atende estudantes do 2° ao 5° ano do fundamental. Podem participar alunos das redes públicas municipal ou estadual que aderirem ao programa.
Na Obmep, promovida pelo Impa, estudantes das redes pública e privada participam de preparações específicas. A escola faz a inscrição e informa quantos alunos participarão da primeira fase.
Em São Caetano do Sul, a Escola Villare oferece aulas no contraturno com monitores e acompanhamento em equipe. A instituição também trabalha o acolhimento de ansiedade e frustração, reforçando que os erros fazem parte do aprendizado.
No Centro Educacional Pioneiro, em São Paulo, a participação nas olimpíadas de português e matemática é obrigatória para todos os estudantes, independentemente do resultado. As competições de outras áreas são optativas. Já no Colégio Magno/Mágico de Oz, em SP, a preparação principal ocorre durante o horário regular, com turmas opcionais no contraturno. A escola usa as olimpíadas para identificar áreas em que os alunos têm bom desempenho e aquelas que precisam ser desenvolvidas.







