SÃO PAULO — A Cognition, startup responsável pelo engenheiro de programação Devin, abriu nesta semana uma operação em São Paulo. A empresa, fundada por Scott Wu em 2024, já atende mais de 10 clientes no Brasil e mantém uma equipe local de vendas e engenharia de software.
A operação se soma aos escritórios da Cognition em São Francisco, Nova York, Austin, Washington, Tóquio, Singapura, Londres e Madri. A sede brasileira fica na região da JK com Faria Lima. Alguns engenheiros trabalham alocados nos escritórios dos clientes.
Itaú e Nubank estão entre os primeiros clientes da empresa no país. Mercado Livre, Natura&Co e B3 passaram a integrar a carteira mais recentemente. O Santander, um dos maiores clientes globais da Cognition ao lado de Citi, Goldman Sachs e Mercedes, também demanda serviços em português porque a maior parte de seus programadores está no Brasil.
Guilherme Grupenmacher, que passou por Atlantico, McKinsey e Thrive Capital, foi recrutado por Wu para definir a estratégia e as operações da Cognition na América Latina.
Crescimento e pressão por computação
A Cognition elevou seu valuation de US$ 26 bilhões em maio para US$ 48 bilhões na semana passada, em uma rodada de US$ 2 bilhões liderada por a16z e Founders Fund. No mesmo período, a receita anualizada passou de US$ 492 milhões para US$ 900 milhões.
Ao mesmo tempo, os gastos com capacidade computacional devem chegar a US$ 800 milhões este ano. O avanço do consumo de energia e de infraestrutura de computação aumenta a pressão sobre empresas do setor, especialmente diante da concorrência de companhias como OpenAI e Anthropic.
Wu negou no X que a Cognition esteja em negociação para ser vendida. A manifestação ocorreu depois de informações de que a SpaceX teria tentado comprar a startup. A rival Cursor foi vendida à SpaceX por US$ 60 bilhões em junho.
Para Wu, a velocidade da evolução da inteligência artificial favorece empresas que continuam inovando. “Em AI, estar dois anos atrasado é muito mais grave”, afirmou.
Como funciona o Devin
O Devin escreve e revisa códigos, investiga bugs e executa outras tarefas ligadas ao desenvolvimento de software. O sistema utiliza modelos da OpenAI, Anthropic e Google, além de modelos de código aberto e modelos próprios da Cognition.
Segundo Wu, o produto faz um roteamento dinâmico: ao receber uma demanda, escolhe os modelos mais adequados para a tarefa. A empresa também explora atividades como testes e revisão de software.
A Cognition lançou o SWE-2, modelo voltado ao fluxo de engenharia de software de grandes empresas. A estratégia é concentrar a capacidade de computação e o treinamento de dados nesse segmento, em vez de desenvolver uma ferramenta para escrever código em qualquer situação.
Wu afirmou que o custo da inteligência artificial cai rapidamente. Para o mesmo nível de inteligência, a tecnologia fica aproximadamente 50 vezes mais barata a cada ano, segundo ele. A Cognition não informa publicamente se está próxima do ponto de equilíbrio financeiro.
Efeitos sobre o trabalho
Na avaliação de Wu, engenheiros de software gastam cerca de 10% do tempo em tarefas criativas. Os outros 90% são destinados à manutenção de código, modernização, atualização de versões, correção de bugs e atividades semelhantes.
A expectativa é que a inteligência artificial assuma grande parte dessas tarefas e permita que os profissionais dediquem mais tempo à criação de produtos. Ele também defende o estudo de matemática, programação e ciência da computação, porque essas áreas ajudam a decompor problemas, fazer escolhas, avaliar compensações e pensar logicamente.
Wu abandonou Harvard para empreender e cresceu em Baton Rouge, Louisiana. Outros integrantes da equipe da Cognition também têm trajetória em competições de matemática e programação. A empresa afirma que pretende desenvolver interfaces para que as pessoas trabalhem com inteligência artificial durante oito horas por dia em um nível de abstração superior ao código.








