Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Cognition abre operação em São Paulo e amplia presença no Brasil

Startup de Scott Wu atende Itaú, Nubank, Mercado Livre, Natura&Co e B3, além de fornecer serviços em português ao Santander.

Cognition abre operação em São Paulo e amplia presença no Brasil

A Cognition, startup responsável pelo engenheiro de programação Devin, abriu nesta semana uma operação em São Paulo. A empresa, fundada por Scott Wu em 2024, já atende mais de 10 clientes no Brasil e mantém uma equipe local de vendas e engenharia de software.

A operação se soma aos escritórios da Cognition em São Francisco, Nova York, Austin, Washington, Tóquio, Singapura, Londres e Madri. A sede brasileira fica na região da JK com Faria Lima. Alguns engenheiros trabalham alocados nos escritórios dos clientes.

Itaú e Nubank estão entre os primeiros clientes da empresa no país. Mercado Livre, Natura&Co e B3 passaram a integrar a carteira mais recentemente. O Santander, um dos maiores clientes globais da Cognition ao lado de Citi, Goldman Sachs e Mercedes, também demanda serviços em português porque a maior parte de seus programadores está no Brasil.

Guilherme Grupenmacher, que passou por Atlantico, McKinsey e Thrive Capital, foi recrutado por Wu para definir a estratégia e as operações da Cognition na América Latina.

Crescimento e pressão por computação

A Cognition elevou seu valuation de US$ 26 bilhões em maio para US$ 48 bilhões na semana passada, em uma rodada de US$ 2 bilhões liderada por a16z e Founders Fund. No mesmo período, a receita anualizada passou de US$ 492 milhões para US$ 900 milhões.

Ao mesmo tempo, os gastos com capacidade computacional devem chegar a US$ 800 milhões este ano. O avanço do consumo de energia e de infraestrutura de computação aumenta a pressão sobre empresas do setor, especialmente diante da concorrência de companhias como OpenAI e Anthropic.

Wu negou no X que a Cognition esteja em negociação para ser vendida. A manifestação ocorreu depois de informações de que a SpaceX teria tentado comprar a startup. A rival Cursor foi vendida à SpaceX por US$ 60 bilhões em junho.

Para Wu, a velocidade da evolução da inteligência artificial favorece empresas que continuam inovando. “Em AI, estar dois anos atrasado é muito mais grave”, afirmou.

Como funciona o Devin

O Devin escreve e revisa códigos, investiga bugs e executa outras tarefas ligadas ao desenvolvimento de software. O sistema utiliza modelos da OpenAI, Anthropic e Google, além de modelos de código aberto e modelos próprios da Cognition.

Segundo Wu, o produto faz um roteamento dinâmico: ao receber uma demanda, escolhe os modelos mais adequados para a tarefa. A empresa também explora atividades como testes e revisão de software.

A Cognition lançou o SWE-2, modelo voltado ao fluxo de engenharia de software de grandes empresas. A estratégia é concentrar a capacidade de computação e o treinamento de dados nesse segmento, em vez de desenvolver uma ferramenta para escrever código em qualquer situação.

Wu afirmou que o custo da inteligência artificial cai rapidamente. Para o mesmo nível de inteligência, a tecnologia fica aproximadamente 50 vezes mais barata a cada ano, segundo ele. A Cognition não informa publicamente se está próxima do ponto de equilíbrio financeiro.

Efeitos sobre o trabalho

Na avaliação de Wu, engenheiros de software gastam cerca de 10% do tempo em tarefas criativas. Os outros 90% são destinados à manutenção de código, modernização, atualização de versões, correção de bugs e atividades semelhantes.

A expectativa é que a inteligência artificial assuma grande parte dessas tarefas e permita que os profissionais dediquem mais tempo à criação de produtos. Ele também defende o estudo de matemática, programação e ciência da computação, porque essas áreas ajudam a decompor problemas, fazer escolhas, avaliar compensações e pensar logicamente.

Wu abandonou Harvard para empreender e cresceu em Baton Rouge, Louisiana. Outros integrantes da equipe da Cognition também têm trajetória em competições de matemática e programação. A empresa afirma que pretende desenvolver interfaces para que as pessoas trabalhem com inteligência artificial durante oito horas por dia em um nível de abstração superior ao código.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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