A China registrou forte avanço nas exportações de veículos enquanto enfrenta uma retração nas vendas de carros de passeio no mercado interno. Em agosto, as vendas domésticas caíram cerca de 25% na comparação anual, informou a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM).
O recuo atingiu principalmente os modelos movidos exclusivamente a gasolina. Ao mesmo tempo, consumidores chineses continuam migrando para veículos eletrificados, como elétricos e híbridos plug-in (PHEV).
Crescimento fora do mercado doméstico
As exportações chinesas de veículos cresceram 67,1% em agosto e chegaram a 890 mil unidades. Com o resultado, o acumulado de 2026 alcançou 6,2 milhões de carros de passeio.
O volume já supera o total de carros de passeio exportados pela China durante todo 2025. No ano passado, o país enviou ao exterior pouco menos de seis milhões de carros de passeio, dentro de um total de cerca de 7,1 milhões de veículos de todos os tipos.
Os modelos elétricos e híbridos plug-in estão entre os principais responsáveis pelo avanço. Fabricantes chineses também vêm ampliando sua presença na Europa, na América Latina e no Sudeste Asiático.
Na Austrália, marcas chinesas já representam quase um terço do mercado automotivo, segundo dados da Cox Automotive Australia. Embora parte das vendas seja formada por veículos exclusivamente a combustão, a maior parte dos modelos comercializados pelas marcas chinesas no país é de híbridos, elétricos ou híbridos plug-in. Entre as fabricantes citadas estão Great Wall Motors e SAIC.
Pressão interna e barreiras comerciais
A guerra de preços no mercado chinês reduz as margens das montadoras. Em mercados estrangeiros, elas podem cobrar mais pelos veículos e obter margens maiores, segundo analistas citados pelo InsideEVs. A desaceleração das vendas domésticas também aumenta a importância das exportações para uma indústria com grande capacidade de produção instalada.
O avanço, porém, enfrenta barreiras. Os Estados Unidos aplicam tarifa de 100% sobre carros chineses e estudam medidas ainda mais rígidas, incluindo uma possível proibição explícita. A União Europeia considera tarifas maiores sobre híbridos plug-in chineses.
Enquanto alguns mercados restringem a entrada desses veículos, o Canadá permitiu recentemente uma quantidade limitada de modelos chineses, e o México registra forte presença deles. BYD e Geely estão entre as marcas que continuam avançando no exterior, impulsionadas pela expansão dos veículos eletrificados.







