Vídeos manipulados e conteúdos produzidos por inteligência artificial passaram a ocupar posição central na desinformação eleitoral, segundo o Guia Internet, Democracia e Eleições, do CGI.br. O documento afirma que esse cenário representa uma ameaça maior às eleições e à democracia do que as fake news tradicionais.
A análise compara o ambiente atual com o de 2018, quando as redes abertas concentravam boa parte da disseminação de informações falsas. Hoje, plataformas de circulação mais restrita, como o WhatsApp, ganharam relevância. As mensagens também deixaram de depender de um único serviço e podem aparecer, ao mesmo tempo, em diferentes ambientes digitais.
Vídeos e mensagens direcionadas
O guia identifica o vídeo como o principal formato usado para espalhar conteúdos enganosos. Esses materiais costumam vir acompanhados de textos curtos, que ajudam a reforçar a narrativa falsa e a dar a ela aparência de legitimidade.
A inteligência artificial generativa, que já esteve presente no ciclo eleitoral de 2022, deve ampliar seu espaço. Entre os usos apontados estão a produção de conteúdos enganosos, a aplicação de técnicas para tornar narrativas falsas mais convincentes e o direcionamento de mensagens para perfis específicos.
Para Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, as plataformas digitais têm papel central na maneira como os brasileiros se informam sobre acontecimentos no mundo, no país e nas cidades onde vivem.
Risco de desconfiança generalizada
As deepfakes estão entre as principais preocupações do estudo. Com o avanço dessas ferramentas, a identificação de falsificações pode ficar difícil até para pessoas habituadas a avaliar informações.
O problema, segundo o guia, não se limita à possibilidade de alguém acreditar em uma mentira. A multiplicação de conteúdos falsos também pode gerar desconfiança diante de informações verdadeiras. A perda de confiança na imprensa e no Judiciário, junto da polarização política, favorece um ambiente em que convicções pessoais podem se sobrepor à checagem dos fatos.
O documento ainda aborda a chamada racionalidade motivada: a tendência de procurar informações que confirmem crenças anteriores e rejeitar conteúdos contrários às próprias convicções. Esse comportamento pode reforçar posições ideológicas.
O CGI.br também discute a atuação de influenciadores na comunicação digital. Embora reconheça sua relevância, o guia diferencia esse trabalho do jornalismo, que segue um código de ética e responde institucionalmente pela veracidade das afirmações.
A publicação explica o funcionamento dos sistemas de recomendação, apresenta conceitos relacionados às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais e reúne orientações para instituições e cidadãos enfrentarem a desinformação. As recomendações incluem medidas para evitar que as pessoas se tornem vítimas ou propagadoras de conteúdos falsos ou enganosos.







