ORIENTE MÉDIO — Uma falha em um relatório de inteligência produzido com auxílio de inteligência artificial levou militares dos Estados Unidos a preparar a abordagem de um navio chinês. O documento classificou incorretamente a carga da embarcação como componentes de um programa de armas nucleares.
A operação foi organizada depois que o relatório circulou entre militares americanos. Soldados armados se posicionaram para entrar no navio, e aeronaves militares já estavam no ar. A ação, porém, foi suspensa quando autoridades revisaram o material com mais atenção, momentos antes da interceptação.
Como o erro foi produzido
O relatório foi elaborado por um analista do Comando de Operações Especiais, que usou um chatbot para examinar dados sobre o manifesto de carga. A ferramenta reuniu informações de fontes abertas e dados secretos do governo, mas chegou a uma identificação errada.
Uma das fontes familiarizadas com o episódio classificou o documento como “totalmente falso” e afirmou que o caso “quase provocou uma guerra”. A carga real do navio não foi determinada.
O episódio também expôs dificuldades relacionadas ao uso de sistemas de inteligência artificial em atividades militares, principalmente na análise de informações e na seleção de alvos. Entre os riscos estão decisões baseadas em dados incorretos, maior confiança de analistas jovens nas respostas das ferramentas e a falta de regras únicas para checar conteúdos gerados por IA.
Expansão do uso de IA
As Forças Armadas dos EUA ampliam o emprego da tecnologia em tarefas como análise de grandes volumes de inteligência, seleção de alvos, logística, cadeias de suprimentos e gestão orçamentária.
Em janeiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou a “Estratégia de Aceleração de Inteligência Artificial” do Departamento de Defesa. Ao apresentar o plano, disse: “Vamos liberar a experimentação, eliminar barreiras burocráticas, focar nossos investimentos e demonstrar a abordagem de execução necessária para garantir nossa liderança em IA militar”.
Um memorando prevê que modelos de IA sejam disponibilizados para os três milhões de funcionários civis e militares do Departamento de Defesa.
A adoção ocorre de maneira descentralizada: diferentes setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência usam sistemas distintos, com regras e padrões de segurança variados. Segundo fontes familiarizadas com as políticas militares, não há um conjunto único de normas para verificar as informações produzidas por essas ferramentas.
Uma fonte resumiu o risco da velocidade desses sistemas: “A IA permite que você chegue a uma ideia ruim mais rápido”.







