Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Regolito lunar pode ajudar a buscar restos microscópicos de civilizações antigas

Estudo teórico sugere analisar partículas acumuladas na Lua, mas nenhuma amostra lunar apresentou tecnossinais até hoje.

Regolito lunar pode ajudar a buscar restos microscópicos de civilizações antigas
Foto: NASA

Um estudo teórico propõe usar o regolito lunar na busca por vestígios microscópicos de tecnologias produzidas por civilizações extraterrestres que já desapareceram. A hipótese não se baseia em uma descoberta: até hoje, nenhuma amostra da Lua apresentou tecnossinais, e os pesquisadores ainda não afirmam ter encontrado evidências de vida inteligente fora da Terra.

A proposta foi apresentada em um artigo disponibilizado em 23 de junho no servidor de preprints arXiv. O trabalho foi submetido ao International Journal of Astrobiology, mas ainda não foi publicado em uma revista científica.

Por que a Lua seria um arquivo

A superfície lunar recebe diretamente partículas do espaço porque a Lua não tem uma atmosfera funcional nem campo magnético. Meteoritos também atingem o solo continuamente. Como não há água nem movimentos de placas tectônicas, esse material pode permanecer acumulado e praticamente intocado.

Os autores argumentam que parte da poeira que chega à Lua pode ter vindo de sistemas estelares além do Sistema Solar. Nesse material, poderiam existir fragmentos produzidos por tecnologias antigas. Eles seriam liberados pela deterioração de megaconstruções e pequenas espaçonaves ou por impactos de asteroides em exoplanetas habitados.

Modelos computacionais indicam que partículas de até três micrômetros — três milionésimos de metro, ou cerca de 3% da largura de um fio de cabelo humano — poderiam deixar seus sistemas estelares e viajar pelo espaço interestelar por até um bilhão de anos. A equipe também estimou a quantidade que poderia alcançar o Sistema Solar e, depois, a Lua.

“Estamos perguntando se essa coleção antiga poderia conter vestígios microscópicos de tecnologias que existiram muito antes de os humanos sequer olharem para o céu”, afirmou Lewis Pinault, primeiro autor do estudo, cientista planetário da University College London e afiliado ao SETI Institute.

A existência de poeira interestelar no Sistema Solar já foi observada em partículas encontradas em amostras do asteroide Bennu. O corpo orbita entre a Terra e Marte e foi visitado pela missão OSIRIS-REx, da NASA. Isso não significa, porém, que essas partículas tenham origem tecnológica.

Como a busca poderia ser feita

Segundo a proposta, uma amostra de aproximadamente um metro cúbico de regolito lunar poderia conter pelo menos um fragmento tecnológico. A investigação combinaria microscopia, análise de materiais industriais e sistemas de inteligência artificial capazes de ajudar na identificação das imagens.

Os pesquisadores dizem que um resultado negativo em uma primeira amostra não eliminaria necessariamente a hipótese. Isso poderia indicar apenas que os modelos estão incorretos ou que seria preciso examinar uma quantidade maior de material. Eles também consideram que análises feitas diretamente na superfície lunar podem ser necessárias.

Novas amostras poderão ser obtidas por missões previstas para os próximos anos, entre elas a chinesa Chang’e-7, recentemente adiada, e futuras missões do programa Artemis, da NASA. O volume recolhido por essas missões pode ficar abaixo do necessário para a análise sugerida.

Por isso, os autores avaliam que talvez seja necessário esperar até a instalação de uma base permanente na Lua para reunir material em quantidade suficiente. O SETI Institute considera a ideia uma nova possibilidade para a busca por tecnossinais.

“O conceito de procurar tecnossinais microscópicos no regolito lunar é, ao mesmo tempo, extraordinariamente original e eminentemente razoável”, afirmou Bill Diamond, presidente e CEO do SETI Institute, que não participou do estudo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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