A nova versão da Siri, desenvolvida com inteligência artificial, coloca em prática uma proposta presente no projeto original da assistente: interpretar pedidos e realizar ações em serviços externos. A mudança ocorre quase duas décadas depois da criação da tecnologia como uma startup independente.
Dag Kittlaus e Adam Cheyer, criadores originais da Siri antes da aquisição pela Apple, explicaram que a assistente não foi pensada apenas para buscar informações. O plano era conectá-la a APIs, sigla em inglês para interfaces de programação de aplicações, permitindo tarefas como reservar mesas no OpenTable e comprar ingressos no StubHub.
Por que a ideia não avançou antes
A evolução seguiu outro caminho. Segundo os criadores, havia dificuldades técnicas relacionadas às APIs. Além disso, grandes empresas não queriam incentivar o uso da assistente no lugar de seus próprios aplicativos. A Apple também poderia deixar de receber a taxa da App Store quando uma transação fosse concluída por meio da Siri.
Kittlaus e Cheyer ainda relacionaram a interrupção desse projeto à morte de Steve Jobs. De acordo com eles, Jobs tinha uma visão semelhante para a assistente: um mecanismo capaz de executar tarefas. Depois disso, a Siri teria permanecido concentrada em funções como definir alarmes e fazer ligações, com pouca integração com serviços de terceiros.
Retomada com inteligência artificial
A popularização da inteligência artificial aumentou a capacidade de assistentes digitais de compreender o contexto e a intenção de quem faz um pedido. Com essa mudança tecnológica, a Apple voltou ao caminho planejado inicialmente pelos criadores da Siri.
O movimento também veio após pressão do mercado e o avanço de empresas concorrentes. Executivos da Apple haviam criticado em diferentes ocasiões a transformação da assistente em um chatbot ou agente de inteligência artificial. A nova versão, porém, adotou esse formato e passou a combinar respostas com a execução de tarefas.







