O demonstrador chinês TMS-10 deve realizar até o fim de 2026 seu primeiro voo de teste em velocidade supersônica. Desenvolvido pelo Laboratório Tianmushan com apoio da Universidade Beihang, o projeto está na fase final de montagem e integração.
A aeronave foi projetada para alcançar velocidade de cruzeiro de Mach 2, cerca de 2.100 km/h. Em uma possível aplicação futura, a tecnologia poderia reduzir de aproximadamente duas horas para 30 minutos o tempo de viagem aérea entre Pequim e Xangai, cidades separadas por mais de 1.000 km.
O TMS-10 é concebido como uma aeronave executiva para transportar de dez a 15 passageiros, com foco em viagens de negócios e turismo de luxo. O desenho permite voo supersônico a Mach 2 e voo subsônico a Mach 0,95, aproximadamente 1.175 km/h.
Antes do teste em velocidade superior à do som, a equipe avaliou um protótipo em escala 1:18. O modelo fez seu primeiro voo em baixa velocidade em 30 de junho de 2025, no Aeroporto de Dingzhou, na província de Hebei, e atingiu menos de Mach 0,2. Segundo o Laboratório Tianmushan, o ensaio demonstrou a capacidade de decolagem e pouso em baixa velocidade, além da estabilidade e do controle da aeronave.
O que será avaliado
O voo previsto para 2026 deverá analisar o cruzeiro supersônico, a estabilidade em velocidade superior à do som e o estrondo sônico, fenômeno provocado por ondas de pressão associadas ao deslocamento da aeronave. O laboratório também pretende testar o controle de voo transônico e a integração entre a aerodinâmica e o sistema de propulsão.
“Também testaremos o controle de voo transônico e a otimização aerodinâmica integrada da aeronave e do sistema de propulsão”, afirma Liang Yu, pesquisador associado da equipe TMS-10 no Laboratório Tianmushan.
O principal objetivo da etapa é romper a barreira do som e demonstrar um voo supersônico sustentado e estável. O projeto, porém, ainda está em fase de pré-pesquisa, avaliação de conceitos e validação tecnológica. Por isso, o demonstrador não representa uma aeronave comercial pronta para passageiros.
Como o projeto pretende reduzir o estrondo
O TMS-10 usa uma configuração aerodinâmica de três superfícies, com uma pequena asa dianteira, chamada canard, e uma cauda em T na parte posterior. De acordo com o Laboratório Tianmushan, o canard ajuda a evitar que as ondas de choque produzidas pelo nariz e pelas asas se unam em uma onda mais intensa. A cauda contribui para redistribuir essas ondas ao redor da aeronave.
O laboratório também aponta que ainda será necessário desenvolver um sistema de propulsão de ciclo variável, otimizar conjuntamente o consumo, o desempenho em cruzeiro supersônico e a redução do estrondo, além de realizar testes com um protótipo de baixo estrondo em grande escala, de cerca de 10 toneladas. A validação de componentes estruturais essenciais também está entre as etapas previstas.







