Blumenau está há dois anos sem registrar feminicídios, período inédito para a terceira maior cidade de Santa Catarina. O último caso de uma mulher morta por questão de gênero ocorreu em setembro de 2024; nos dados detalhados, a ocorrência é indicada como 9 de setembro.
A ausência desse tipo de crime ocorre enquanto a violência doméstica continua sendo registrada. Entre janeiro e agosto de 2026, 2.366 casos chegaram às autoridades, com média de 9,7 por dia. No mesmo intervalo, foram contabilizados 501 registros de lesão corporal, dos quais cinco foram classificados como gravíssimos. Outro recorte do período aponta 506 casos de agressão, também com cinco ocorrências graves.
Para Anne Teive Auras, defensora pública e coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, o feminicídio costuma ser o ponto extremo de uma sequência anterior de violências. “É um dado positivo não haver feminicídios, mas os índices ainda de registros de outras formas de violência contra a mulher são preocupantes”, afirmou.
A procura por proteção judicial também aumentou. Nos primeiros oito meses de 2026, a Justiça concedeu 930 medidas protetivas, que determinam o afastamento dos agressores. A média foi de 116,25 ordens por mês. Mantido esse ritmo, o total pode superar as 1 mil medidas emitidas em todo o ano de 2025, quando a média mensal foi de 83.
A defensora pública avalia que o pedido de proteção mostra que as mulheres estão buscando ajuda do Estado. Segundo ela, a medida não é suficiente isoladamente para impedir uma nova violência ou um desfecho fatal, mas pode ser combinada a outras formas de proteção.
Entre os direitos associados às medidas estão a matrícula prioritária dos filhos perto da nova residência, acesso a abrigo e auxílio aluguel, além do afastamento remunerado do trabalho para mulheres com carteira assinada. Anne também destaca a importância da rede de apoio, porque muitas vítimas de feminicídio não haviam procurado ajuda antes.
Em 2024, foram registrados 3.138 casos de violência doméstica, média de 8,6 por dia, 582 lesões corporais, sete lesões corporais gravíssimas, quatro feminicídios e 1.161 medidas protetivas. Em 2025, os números foram 3.490 casos, média de 9,6 por dia, 735 lesões corporais, nove lesões corporais gravíssimas e 1 mil medidas protetivas.







