Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Dados do celular de Vorcaro incompletos antes de análise do STF

Polícia Federal informou que aparelho está sob custódia, mas cópias dos dados só chegaram a gabinetes na véspera da sessão.

A análise do Supremo Tribunal Federal sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes ocorrerá com questionamentos sobre o acesso aos dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. A sessão está marcada para esta terça-feira (15), com base em relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Vorcaro e o ministro.

O documento menciona uma suposta troca de mensagens na qual Vorcaro consultaria Moraes sobre o andamento de operações e sobre a possibilidade de deixar o Brasil. O advogado e cientista político Jorge Folena afirma, porém, que o material disponível não permitiria uma avaliação completa, porque André Mendonça manteve o aparelho sob sua guarda.

“Como ter um julgamento na terça-feira, se o André Mendonça acusa o ministro Moraes a partir desse telefone e diz que há diálogos, mas nós só temos monólogos das falas do Vorcaro?”, questionou Folena. Para ele, a realização do julgamento nessas condições é temerária.

Acesso aos dados

Neste domingo (13), a Polícia Federal informou que os dados extraídos do celular estão “integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada”. Na tarde desta segunda-feira (14), os gabinetes de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin receberam uma cópia do conteúdo.

A sessão ocorre após uma sequência de decisões de Mendonça. No dia 1º de setembro, o ministro apresentou o relatório da PF que envolvia Moraes. Em resposta, Moraes fez denúncias de suposto abuso de poder contra Mendonça.

No dia 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor da PF. Rodrigues foi reconduzido por decisão de Flávio Dino, posteriormente ratificada por Edson Fachin. A medida de Mendonça foi considerada inconstitucional por atingir uma atribuição do presidente da República.

Folena avalia que essas ações favoreceram inicialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), mas não produziram a mobilização esperada em 7 de setembro. Na avaliação do advogado, o episódio tirou do centro das investigações o caso do filme “Dark Horse” e questões relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Na última sexta-feira, Mendonça retirou o sigilo de parte das investigações do Master após pedido de Fachin, mas, conforme Folena, manteve ocultas informações que poderiam prejudicar Flávio Bolsonaro. Na semana passada, Fachin também retirou Mendonça da relatoria dos casos. Folena considera a medida importante porque Mendonça admitiu ter mantido contatos com Vorcaro no instituto dele em São Paulo e, por isso, não poderia julgar o caso.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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