Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro foi confrontado por Tralli e Renata em ao menos 6 declarações

Durante entrevista na Globo, candidato foi questionado sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, clima, tarifaço, filme e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante a sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro apresentou declarações contrariadas por fatos sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, mudanças climáticas, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega. Em uma das situações, ele reconheceu que havia “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio da Globo na noite de sexta-feira (28) com a intenção de expor sua versão sobre os principais assuntos relacionados à candidatura à Presidência. Ao longo dos 40 minutos de conversa com César Tralli e Renata Vasconcellos, no entanto, precisou responder a informações que contrariavam declarações feitas por ele em ao menos seis episódios.

A avaliação da entrevista completa foi realizada com base nos vídeos e na transcrição. O cruzamento do material audiovisual identificou ao menos seis momentos em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou apresentaram informações que contrariavam diretamente falas de Flávio.

Nesse levantamento, “correção” não significa apenas quando os jornalistas afirmam literalmente que algo não é verdade. Também entram os momentos em que foram apresentados documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas que contradiziam uma declaração factual do candidato.

Os momentos de confronto na entrevista

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais fortes ocorreu quando Flávio tentou diminuir a importância das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que teria sido criada uma “montagem” para condenar seu pai e outras pessoas envolvidas.

Tralli respondeu apresentando os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, que descrevia o plano para matar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Assim, não se tratava apenas de uma diferença entre posições políticas. Havia um documento apreendido pela PF e incluído na investigação, além de depoimentos e outros elementos que serviram de base para as condenações.

Mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio manteve a versão de que tudo era uma armação. O tribunal condenou seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o candidato reconheceu o erro

Esse foi o caso mais direto da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana. A informação já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista apresentou a declaração anterior ao candidato e perguntou sobre o que ele havia afirmado. Flávio voltou atrás: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

A relevância do episódio está no fato de que não foi necessária uma interpretação externa da resposta. O próprio candidato admitiu que sua afirmação estava errada.

3. Aquecimento global e a tentativa de responder com saneamento básico

Outro momento marcante ocorreu quando Renata perguntou a Flávio qual era sua posição sobre as mudanças climáticas. A questão era saber por que o assunto não aparecia com mais clareza em seu plano de governo, considerando as evidências científicas sobre o aquecimento global.

Em vez de responder diretamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio levou a resposta para temas como saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata retomou a pergunta: “Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Depois que Flávio mencionou ciclos climáticos, a jornalista voltou a questioná-lo sobre a posição apresentada. Ela perguntou se aquilo não significava negar as evidências científicas.

Nesse caso, não estava em discussão apenas uma divergência de opinião. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas sustentadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o tarifaço

O quarto episódio tratou do tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio tentou descrever sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa destinada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, porém, usou o documento apresentado pelo próprio candidato para apontar uma diferença central. A carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida. O pedido era para adiar sua implementação.

A jornalista foi clara ao dizer: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Também afirmou que a investigação citada no documento já havia sido concluída.

Flávio procurou manter sua interpretação, mas o conteúdo da carta apresentado por Renata contrariava a descrição que ele havia feito de sua atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

O primeiro grande trecho da entrevista foi dedicado à relação de Flávio com Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que a prestação de contas do projeto já havia sido realizada e que as informações estavam disponíveis ao público.

Tralli apresentou um contraponto: o perito contratado para examinar os dados não havia conseguido acessar o fundo americano e não tinha esclarecido completamente a origem nem o destino dos recursos.

Portanto, a questão não era somente verificar se existia algum documento publicado. Era necessário saber se o material disponível bastava para explicar a origem e o percurso dos R$ 61 milhões relacionados ao financiamento.

A discussão ocorreu justamente quando Flávio tentava encerrar o assunto como se a prestação de contas já estivesse totalmente esclarecida. O candidato também se recusou a apresentar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido entregar no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já enfrentava acusações quando recebeu homenagem

O sexto episódio envolveu Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Ao ser questionado sobre a homenagem concedida a Adriano, Flávio afirmou que, naquela época, ele era considerado um policial de destaque e que não havia feito absolutamente nada de errado.

Renata contrapôs essa versão com a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio se apoia na ideia de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção de Renata contestou essa sequência cronológica. A jornalista também lembrou que parentes do miliciano foram contratados para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele ocupava o cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5