Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Licença da Petrobras na Margem Equatorial inclui mais três poços, informa Ibama

MPF contesta autorização no bloco FZA-M-59, enquanto a Petrobras afirma que pesquisas não apontaram impacto direto em comunidades ou terras indígenas.

Licença da Petrobras na Margem Equatorial inclui mais três poços, informa Ibama

A licença de perfuração do poço Morpho, na Margem Equatorial, foi ampliada pelo Ibama para incluir mais três poços: Manga, Crotalus e uma extensão de Morpho. A retificação ocorreu no último dia 3, a pedido da Petrobras.

O poço fica a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em uma lâmina d’água de 2.886 metros. As operações seguem na etapa final da perfuração de Morpho, enquanto a empresa organiza as atividades exploratórias dos outros poços. Em 14 de agosto, a Petrobras anunciou a identificação de petróleo de boa qualidade em Morpho.

Pedido do Ministério Público Federal

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para tentar interromper a licença concedida à estatal no bloco FZA-M-59, na bacia do Foz do Amazonas. O recurso foi apresentado na última quinta-feira (17).

O órgão afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do projeto. Segundo o MPF, embarcações deixam o porto de Belém e passam por rotas tradicionais consideradas sensíveis, utilizadas por famílias indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Essas comunidades relatam redes destruídas, afastamento de peixes e risco de acidentes.

Além da suspensão das atividades, o MPF pede consulta prévia a todas as comunidades tradicionais da costa do Pará, estudos sobre a atividade pesqueira, um plano de compensação e a revisão dos limites da área de influência. O órgão também quer que o processo continue na Justiça Federal do Pará. A alegação é que a competência deve considerar o local dos possíveis danos, já que navios, resíduos e estruturas de apoio operam a partir do estado. O processo havia sido enviado ao Amapá para evitar decisões conflitantes.

Argumentos da Petrobras

A Petrobras afirma que a atividade ainda está na fase de pesquisa exploratória e que os estudos não encontraram impactos socioambientais diretos sobre comunidades ou terras indígenas relacionados ao bloco. A empresa diz que a consulta prévia não se aplica ao licenciamento, mas que promoveu “mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios dos estados do Amapá e do Pará”.

Sobre o tráfego aéreo, a estatal afirma que o aeroporto de Oiapoque (PA) funciona há décadas e é usado dentro da capacidade autorizada. A companhia também cita ajustes feitos a partir de 2023, após reuniões com o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), para revisar rotas e aumentar a altitude das aeronaves.

A empresa declarou ainda que cumpre as exigências dos órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental e reafirmou compromisso com a segurança, a proteção socioambiental, o diálogo com as comunidades e os procedimentos definidos pelas autoridades.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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