A América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos de defensores da natureza e do meio ambiente registrados em 2025. No Brasil, 26 pessoas foram mortas ao resistirem à invasão de terras e florestas, conforme o relatório anual da Global Witness. O número representa o dobro do registrado no ano anterior.
Para Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), o Brasil ocupa há pelo menos 15 anos a segunda posição entre os países com mais assassinatos de ambientalistas. A Colômbia aparece na primeira colocação.
Ribeiro afirma que as vítimas são escolhidas por impedir ações ilegais relacionadas à ocupação de terras, ao avanço da mineração e à agricultura predatória. “Eu chamo de assassinato seletivo, porque não se mata qualquer pessoa”, disse.
O professor também relaciona a exposição do tema ao assassinato de Chico Mendes e à repercussão global do caso. Segundo ele, ambientalistas continuam enfrentando interesses de setores do agronegócio e da mineração. Ribeiro defende que o Estado brasileiro seja cobrado pela apuração dos crimes e avalia que as propostas ambientalistas ficam em segundo plano diante do debate eleitoral concentrado no contexto do STF.
Garimpo em terras indígenas
Ribeiro também comentou o avanço do garimpo com apoio de facções criminosas em terras indígenas. Uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) aponta que a área ocupada pela atividade aumentou 562% entre 2016 e 2024.
O geógrafo afirma que existem formas de realizar mineração sem degradar áreas e tecnologias capazes de recuperar locais degradados. “Há práticas adequadas vinculadas à chamada boa engenharia”, declarou. Para ele, porém, parte dos agentes econômicos opta por atividades ilícitas em busca de ganhos rápidos, sem respeitar salvaguardas ambientais de interesse da sociedade brasileira.







