Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

América Latina reúne 85% das mortes de defensores ambientais registradas em 2025

Relatório aponta 26 assassinatos no Brasil, o dobro do número registrado no ano anterior; país fica atrás apenas da Colômbia nesse tipo de crime.

A América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos de defensores da natureza e do meio ambiente registrados em 2025. No Brasil, 26 pessoas foram mortas ao resistirem à invasão de terras e florestas, conforme o relatório anual da Global Witness. O número representa o dobro do registrado no ano anterior.

Para Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), o Brasil ocupa há pelo menos 15 anos a segunda posição entre os países com mais assassinatos de ambientalistas. A Colômbia aparece na primeira colocação.

Ribeiro afirma que as vítimas são escolhidas por impedir ações ilegais relacionadas à ocupação de terras, ao avanço da mineração e à agricultura predatória. “Eu chamo de assassinato seletivo, porque não se mata qualquer pessoa”, disse.

O professor também relaciona a exposição do tema ao assassinato de Chico Mendes e à repercussão global do caso. Segundo ele, ambientalistas continuam enfrentando interesses de setores do agronegócio e da mineração. Ribeiro defende que o Estado brasileiro seja cobrado pela apuração dos crimes e avalia que as propostas ambientalistas ficam em segundo plano diante do debate eleitoral concentrado no contexto do STF.

Garimpo em terras indígenas

Ribeiro também comentou o avanço do garimpo com apoio de facções criminosas em terras indígenas. Uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) aponta que a área ocupada pela atividade aumentou 562% entre 2016 e 2024.

O geógrafo afirma que existem formas de realizar mineração sem degradar áreas e tecnologias capazes de recuperar locais degradados. “Há práticas adequadas vinculadas à chamada boa engenharia”, declarou. Para ele, porém, parte dos agentes econômicos opta por atividades ilícitas em busca de ganhos rápidos, sem respeitar salvaguardas ambientais de interesse da sociedade brasileira.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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