O desempenho em matemática no Brasil permanece praticamente estável há cerca de uma década, enquanto as dificuldades acumuladas ao longo da vida escolar podem comprometer a aprendizagem de conteúdos mais complexos. Para ajudar os filhos, as famílias não precisam dominar a disciplina, mas podem oferecer incentivo, acompanhar os primeiros sinais de dificuldade e aproximar o conteúdo da rotina.
Os resultados do Pisa 2025 mostram que 72% dos estudantes brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do nível básico em matemática. Isso significa que cerca de 7 em cada 10 alunos não alcançam habilidades como representar situações simples, comparar distâncias ou converter preços para outra moeda. A média da OCDE foi de 35%. Nos níveis mais altos, praticamente nenhum estudante brasileiro chegou às faixas superiores, ante 8% na média dos países avaliados.
Ralph Reis, vice-presidente do Instituto Fliegen, projeto social de Cotia (SP) que prepara gratuitamente alunos da rede pública para olimpíadas do conhecimento, afirma que o apoio familiar pode fazer parte das oportunidades oferecidas aos estudantes. “Muitas vezes, não estamos falando de capacidade ou de talento, mas de acesso e de incentivo”, diz.
Incentivo começa pela confiança
A primeira medida é ajudar a criança a abandonar a ideia de que não leva jeito para matemática. Repetir que alguém é ruim na disciplina pode transformar uma dificuldade passageira em uma crença permanente. A família pode reforçar que aprender exige tempo, acompanhamento e apoio.
Também é importante observar a relação emocional com a matéria. Quando o estudante deixa de encarar a matemática com medo, tende a se abrir mais para tentar, errar e buscar novas estratégias.
Leitura e situações práticas
A interpretação de texto é uma aliada da resolução de problemas. Ler com a criança, conversar sobre o que foi compreendido e pedir que ela explique como chegou a uma resposta ajudam a desenvolver o raciocínio usado em diferentes disciplinas.
A matemática também pode aparecer em tarefas comuns. Preparar uma receita permite trabalhar proporções; comparar valores no mercado envolve cálculos; medir espaços e dividir uma conta tornam conceitos abstratos mais próximos da experiência da criança. Para Ralph Reis, esse contato com situações reais pode diminuir a ansiedade e estimular o interesse.
Estudo com curiosidade e atenção às lacunas
Jogos, quebra-cabeças e pequenos desafios podem transformar o estudo em uma atividade de raciocínio, sem fazer da aprendizagem apenas uma cobrança. A proposta é incentivar a curiosidade e a criatividade, em vez de aumentar a pressão sobre o estudante.
As dificuldades precisam ser percebidas o quanto antes. Como a matemática depende de conhecimentos anteriores, aquilo que não foi aprendido em uma etapa pode dificultar a seguinte. A família pode conversar com o professor, procurar reforço escolar ou buscar iniciativas gratuitas quando identificar os primeiros sinais.
Reis ressalta que a responsabilidade é compartilhada entre família e escola. O acompanhamento em casa não substitui o trabalho escolar, mas pode fortalecer a confiança e ajudar o estudante a buscar apoio antes que as lacunas aumentem.







