Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Educação

Pisa aponta dificuldades de matemática para 72% dos estudantes brasileiros

Avaliação internacional mostra que a maioria dos alunos de 15 anos não alcança o nível básico em matemática.

Pisa aponta dificuldades de matemática para 72% dos estudantes brasileiros
Foto: Reprodução TV Globo

A maioria dos estudantes brasileiros de 15 anos não alcança o nível básico de matemática, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2025 (Pisa), divulgados nesta terça-feira (8). Ao todo, 72% ficaram abaixo do nível 2, considerado o patamar mínimo satisfatório pela avaliação.

Na prática, esses estudantes têm dificuldade para resolver tarefas como calcular a conversão de moedas — por exemplo, descobrir quantos reais correspondem a 2 dólares quando 1 dólar vale R$ 5,13 — e comparar as distâncias percorridas por um carro em dois caminhos.

Desempenho brasileiro

A proporção de alunos abaixo do nível 2 no Brasil é maior que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 35%. A pontuação média brasileira foi de 406 pontos, enquanto a média da OCDE chegou a 500 pontos. O país ficou próximo de Jordânia e Argentina e atrás da maioria dos participantes da avaliação.

Dentro da faixa abaixo do nível 2, 44% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 1a, classificado como desempenho muito baixo. Outros 28% alcançaram o nível 1a. No outro extremo da escala, praticamente nenhum aluno do país atingiu os níveis 5 ou 6, os mais altos do Pisa. Na média da OCDE, 8% chegaram a esse patamar.

Estudantes classificados nos níveis mais altos conseguem representar matematicamente situações complexas e comparar estratégias diferentes para resolver um problema. China, Singapura, Taipé Chinês, Macau, Coreia do Sul, Japão e Hong Kong aparecem entre os países com maior proporção de alunos nesse grupo, todos com mais de 20%.

Formação de professores

Para Ernesto Martins, pesquisador do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), o baixo desempenho em matemática é uma dificuldade compartilhada pelos países da América do Sul. Entre os oito países da região com dados na edição de 2025, nenhum se aproximou da média da OCDE, de 465 pontos. O Uruguai teve 405 pontos, e o Brasil apareceu com 377, à frente apenas de Argentina, Equador e Paraguai.

Martins relaciona parte do resultado brasileiro à formação de professores. “Há uma necessidade de se ampliar o repertório matemático dos docentes”, afirmou. Para ele, lacunas na formação podem levar a um ensino mais concentrado na repetição de procedimentos e fórmulas, em vez da construção do raciocínio matemático.

O pesquisador também disse que as dificuldades dos alunos se acumulam ao longo da trajetória escolar. Quem não consolida conhecimentos como sentido de número, operações, frações e proporcionalidade pode chegar aos anos finais com obstáculos para aprender álgebra, geometria e resolução de problemas.

O Pisa é aplicado a cada 3 anos para avaliar conhecimentos em matemática, leitura e ciências. A edição de 2025 incluiu pela primeira vez uma prova de resolução de problemas computacionais, relacionada à aplicação de lógica e conceitos de programação.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5