SANTA CATARINA — O inverno de 2026 registrou apenas uma ocorrência de neve no estado, o menor número dos últimos cinco anos, segundo dados da Epagri. O fenômeno foi observado em 6 de setembro, em municípios da Serra catarinense, junto com chuva congelada.
A estação termina na próxima segunda-feira, dia 21 de setembro. Durante o período, as temperaturas mínimas chegaram a -9,2°C em Santa Catarina.
Registro de neve em setembro
A neve foi identificada em um camping de Bom Jardim da Serra. Já a chuva congelada atingiu com força Campo dos Padres, em Urubici. Na ocasião, os termômetros marcavam entre -1°C e 3°C nos pontos da Serra situados acima de 1.300 metros de altitude.
De acordo com a Epagri, 17 ocorrências de neve foram registradas no estado nos cinco últimos anos. D esse total, 12 aconteceram durante o inverno. Em 2025, houve registros em 29 de maio, 30 de junho e 9 de agosto. Apenas os dois últimos ocorreram durante a estação.
Em 2026, Santa Catarina também teve neve em 1° de maio, fora do inverno, e no início de setembro. Os registros dos últimos anos incluem municípios como São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Água Doce, Rancho Queimado, Timbé do Sul, Abdon Batista, Campos Novos, Celso Ramos, Erval Velho, São Cristovão do Sul, Anita Garibaldi, Bom Retiro, Campo Belo do Sul, Rio Rufino e São José do Cerrito.
Relação com o El Niño
Para o meteorologista Marcelo Martins, da Epagri, a redução da neve pode ter mais de uma causa. Ele afirmou que o inverno teve temperaturas acima da média, com menos frio, geadas e neve, mas ressaltou que a variabilidade climática também interfere nos resultados de cada ano.
A meteorologista Laura Rodrigues, também da Epagri, apontou que, especialmente em julho e agosto de 2026, as massas de ar frio seguiram uma trajetória predominantemente marítima. Elas avançaram da Argentina em direção ao mar e não atingiram Santa Catarina com frio mais intenso.
Essa condição pode estar associada ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e ao desenvolvimento do El Niño, previsto para se estender até 2027. Segundo Laura, a preocupação com o fenômeno se concentra na primavera, quando normalmente aumenta a frequência e a intensidade dos sistemas meteorológicos que provocam chuvas e tempestades.







