Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Pesquisa em Santa Catarina busca mapear riscos ligados ao feminicídio

Estudo pretende criar um questionário para identificar comportamentos associados à violência doméstica e ao feminicídio no Brasil.

Pesquisa em Santa Catarina busca mapear riscos ligados ao feminicídio

Um projeto científico em Santa Catarina pretende criar uma ferramenta para identificar comportamentos e atitudes associados ao risco de feminicídio. A iniciativa vai ouvir homens condenados por esse crime e, depois, ampliar a análise para pessoas sentenciadas por violência doméstica e familiar.

A pesquisa é resultado de uma cooperação entre o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Emory University, dos Estados Unidos, com participação da professora Dabney Evans. Reconhecida por estudos sobre violência de gênero, direitos humanos e saúde pública, Evans participou de uma iniciativa que entrevistou 160 feminicidas em 11 países.

Como será o estudo

A primeira etapa será um estudo-piloto com entre 10 e 15 homens condenados por feminicídio. Na fase de validação, a previsão é reunir cerca de 400 homens sentenciados por violência doméstica e familiar em Santa Catarina, considerando diferentes graus de gravidade.

A proposta é construir um instrumento voltado à realidade jurídica e cultural do Brasil. Países como a Espanha já utilizam ferramentas semelhantes, mas elas ainda não foram validadas para o contexto brasileiro.

“Buscamos tentar com esse instrumento identificar comportamentos, atitudes que tenham mais chances de que esse homem cometa um feminicídio ou não”, explica Michelle de Souza Gomes Hugill. Doutora em Psicologia e pesquisadora de relações de gênero, ela é servidora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e está cedida ao Conselho Nacional de Justiça.

O instrumento deverá indicar uma probabilidade, e não afirmar que uma pessoa necessariamente cometerá o crime. Para Michelle, a criação da ferramenta também pode ajudar a discutir quais fatores antecedem a violência e como impedir que ela aumente.

Dados sobre condenações e violência

O Mapa do Feminicídio do Ministério Público de Santa Catarina aponta que 66,7% dos homens são condenados. Entre eles, 75,3% recebem penas de 15 a 30 anos de prisão, enquanto 13,3% têm condenações superiores a 30 anos. As estatísticas também indicam que 13,4% dos autores tiram a própria vida logo após o feminicídio.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram ainda que, para cada mulher vítima de feminicídio, outras três quase foram mortas por causa do gênero.

Sobrevivente relata medo após soltura

A preocupação com a continuidade da violência aparece no caso de uma mulher atacada por Moacir Ferreira da Silva. Condenado a nove anos por tentativa de feminicídio, ele atirou várias vezes contra a vítima, mas a arma falhou. Depois, usou uma machadinha para golpeá-la. A filha do casal, que tinha 11 anos na época, também se feriu ao tentar defender a mãe.

O crime ocorreu em maio de 2023. Moacir ficou pouco mais de um ano preso e obteve o direito de responder ao processo em liberdade. A sentença definitiva foi publicada no dia 13 de agosto, quando ocorreu o julgamento. Ele estava no tribunal, saiu antes do fim da sessão e passou a ser considerado foragido.

O homem é procurado em um dos 280 mandados de prisão em aberto em Santa Catarina por crimes de violência doméstica. “Desde quando ele foi solto, não consigo dormir direito, nem trabalhar. Sempre com medo”, afirmou a sobrevivente.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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