Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Sintaema cobra investigação sobre vínculos financeiros em privatizações de água em SP

Entidade relaciona operações envolvendo EMAE, Sabesp, Ambipar e Banco Master e defende controle público sobre o saneamento.

O Sintaema cobra investigação sobre possíveis conflitos de interesses e vínculos financeiros relacionados às privatizações da EMAE e da Sabesp. A entidade questiona a transformação de empresas estratégicas de água e energia em ativos de interesse do mercado financeiro e defende transparência e controle público sobre o saneamento.

As conexões mencionadas envolvem o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, fundos ligados a Nelson Tanure, a Ambipar, a EMAE e a Sabesp. Também aparece na apuração o então presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo.

Em julho de 2025, Lobo deu o voto decisivo para afastar a exigência de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da Ambipar. A decisão ocorreu poucos dias depois de mensagens em que Vorcaro afirmava que articularia apoio à permanência de Lobo na presidência da CVM. Os envolvidos negam irregularidades ou favorecimento.

Operações envolvendo EMAE e Sabesp

De acordo com as informações apresentadas pelo Sintaema, a aquisição da EMAE envolveu o Phoenix Fundo de Investimento em Participações, ligado a Nelson Tanure e administrado pela Trustee DTVM. Naquele momento, a empresa integrava o mesmo grupo econômico do Banco Master. A operação usou ações da Ambipar como garantia e passou a ser analisada pela CVM.

A entidade também destaca a trajetória de Carlos Piani, que comandou o conselho da Ambipar, depois presidiu a Equatorial e assumiu a presidência da Sabesp privatizada. Após a privatização, a EMAE foi incorporada à Sabesp, que já estava sob controle privado.

O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento preliminar para apurar possíveis conflitos de interesses, favorecimento de particulares, lesão ao patrimônio público e outros aspectos ligados às privatizações da EMAE e da Sabesp. As suspeitas e conexões citadas ainda são alvo de questionamentos e investigações e não comprovam, por si só, irregularidades ou crimes.

O Sintaema afirma que a água deve ser tratada como direito e serviço essencial, e não submetida à lógica de valorização financeira. Para a entidade, a privatização da Sabesp, apresentada pelo governo Tarcísio de Freitas como um projeto de modernização e ampliação dos investimentos, exige cobrança por transparência e investigação rigorosa.

A organização também relaciona o modelo privatizado a preocupações sobre tarifas, atendimento, falta d’água e condições de trabalho, incluindo redução de quadro, sobrecarga e precarização. Sua posição é que o saneamento deve permanecer associado à universalização, à segurança hídrica, à qualidade do serviço e ao patrimônio público.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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