Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Educação

Pisa deve ser tratado como diagnóstico, não como ranking educacional

Resultados da avaliação internacional ajudam a analisar tendências, mas não definem o melhor sistema de ensino do mundo.

Pisa deve ser tratado como diagnóstico, não como ranking educacional
Foto: AFP

Os resultados do Pisa não permitem apontar qual país tem o melhor sistema educacional do mundo. A avaliação, organizada pela OCDE, é mais útil quando seus dados são analisados em profundidade para identificar tendências e trajetórias específicas de cada país.

A comparação direta entre médias pode esconder diferenças importantes. Em 2015, os Estados Unidos ficaram em 24º lugar em leitura, enquanto Singapura ocupou o 1º, com 535 pontos. Massachusetts, estado norte-americano, alcançou 527 pontos e ficaria em segundo lugar se fosse tratado como um país. A China, por sua vez, participa da avaliação com apenas algumas províncias, o que também limita a comparação com o conjunto de seu sistema educacional.

Diferenças entre os países

Nenhum sistema de ensino muda completamente em três anos. Além disso, os resultados são influenciados por fatores externos, como economia, migração, gestão pública, conflitos políticos, guerras e desastres ambientais.

Singapura tem 6 milhões de habitantes, ocupa uma área de 750 km² e apresenta renda per capita de aproximadamente US$ 105 mil. O Brasil tem renda per capita de US$ 10 mil. A Finlândia registra coeficiente Gini de 27, enquanto o índice brasileiro ultrapassa 50. Essas diferenças tornam frágeis as comparações simples entre os países.

A trajetória da Finlândia também mostra os riscos de interpretar o ranking de forma superficial. Depois de chegar ao topo nos anos 2000 com um modelo mais flexível e centrado no aluno, o país passou a ser associado a um suposto fracasso após recuar na classificação. A queda generalizada provocada pela pandemia e as pequenas diferenças entre os primeiros colocados exigem uma análise mais cuidadosa.

Pesquisa e políticas públicas

Entre os problemas concretos apontados estão os possíveis prejuízos do uso de redes sociais e do celular para a compreensão de textos. A resposta, nesse caso, depende de pesquisa e de políticas públicas, não da simples cópia do modelo do país que lidera a avaliação.

Boas práticas podem existir em países que não estão no topo. Para identificá-las e adaptá-las à realidade brasileira, é necessário fortalecer a pesquisa educacional, ampliar o financiamento e as bolsas de doutorado e criar mais mestrados acadêmicos e profissionalizantes.

O Pisa pode orientar o diagnóstico dos sistemas de ensino, mas não deve ser tratado como uma competição. Seu uso mais adequado é apoiar o trabalho de desenhar e implementar políticas educacionais.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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