Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Educação

Brasil mantém desempenho no Pisa com aumento da cobertura da avaliação

O país teve estabilidade em leitura, matemática e ciências, enquanto uma parcela maior e mais vulnerável dos jovens passou a ser representada.

Brasil mantém desempenho no Pisa com aumento da cobertura da avaliação
Foto: Folhapress

O Brasil manteve estabilidade estatística em leitura e matemática no Pisa 2025, em comparação com 2022, e alcançou 409 pontos em ciências. Ao mesmo tempo, a cobertura da avaliação cresceu quatro pontos percentuais no período. Entre os países analisados pela OCDE, foi o único a combinar estabilidade nas três áreas com expansão da cobertura.

Esse resultado exige atenção ao que o Pisa mede. A avaliação considera jovens de 15 anos matriculados a partir do 7º ano. Por isso, adolescentes que abandonaram a escola ou ainda estão em etapas anteriores não fazem parte da população avaliada. A prova oferece uma fotografia relevante de uma geração, mas não contempla todos os jovens dessa idade.

Na América Latina, a permanência de mais estudantes na escola e o avanço pelas séries sem grandes distorções de idade e etapa mudam a composição dos participantes. Com isso, jovens de grupos historicamente mais vulneráveis passam a ser incluídos. Essa ampliação pode pressionar a média para baixo mesmo quando há avanços no sistema educacional, porque o resultado passa a incorporar uma parcela maior da população.

A idade dos participantes também limita a leitura sobre determinadas políticas. No Brasil, eles estão, em geral, nos anos finais do ensino fundamental ou no primeiro ano do ensino médio, conforme a trajetória escolar. Assim, melhorias feitas no ensino médio ainda não aparecem plenamente no Pisa. O mesmo vale para avanços recentes em fases iniciais da educação básica: quem tem 15 anos passou pela alfabetização oito anos antes, considerando a alfabetização aos sete anos definida no Brasil.

Desempenho da OCDE e da América Latina

Mesmo com essas ressalvas, os resultados de 2025 mostram queda entre os 35 países da OCDE com dados comparáveis. Desde 2022, a média recuou três pontos em ciências, 14 em leitura e nove em matemática. Os estudantes avaliados tinham cerca de 10 ou 11 anos durante o fechamento das escolas na pandemia, período importante para a consolidação das aprendizagens básicas. O efeito geracional desse período se soma a problemas anteriores e à capacidade de cada sistema de recompor aprendizagens.

Os países latino-americanos tiveram trajetórias diferentes. Entre os seis países em que atua o Instituto Natura, o Chile continuou com o melhor desempenho, mas perdeu 12 pontos em leitura e nove em matemática desde 2022. O Peru caiu 18 pontos em leitura e nove em matemática. Colômbia e México chegaram a 414 pontos em ciências e mantiveram estabilidade nessa área desde 2015, embora tenham registrado perdas recentes em leitura ou matemática. A Argentina caiu nos três domínios e alcançou 393 pontos em ciências, o menor resultado do grupo.

Desde 2015, a OCDE considera estatisticamente estável o desempenho brasileiro nas três áreas. O patamar de aprendizagem continua baixo e insuficiente. A combinação entre a manutenção da média e a inclusão de uma parcela maior e mais vulnerável reforça a necessidade de priorizar os anos finais do ensino fundamental, etapa em que avanços anteriores podem perder continuidade.

A interpretação do Pisa pode ser complementada por indicadores que acompanhem a trajetória completa de uma geração. A combinação de avaliações e índices ajuda a identificar em quais etapas a aprendizagem se perde e a orientar políticas públicas sustentadas ao longo de toda a educação básica.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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