NIGÉRIA — Harrison Okene, cozinheiro nigeriano de 29 anos, foi encontrado vivo dentro do rebocador Jascon 4 cerca de 62 horas depois do naufrágio. A embarcação estava virada, a aproximadamente 30 metros de profundidade, diante da costa da Nigéria. Entre os 12 homens a bordo, ele foi o único sobrevivente.
O acidente ocorreu em 26 de maio de 2013, quando o rebocador dava apoio a um navio-tanque a cerca de 30 quilômetros da costa de Escravos. Um relato técnico da Marinha dos Estados Unidos registrou grandes ondas e mau tempo, mas não apontou uma causa definitiva para o naufrágio.
Okene estava no banheiro quando o navio virou. O vaso sanitário caiu, a luz se apagou e a água começou a entrar. Depois de tentar sair com outros tripulantes, ele foi levado para outro banheiro, ligado à cabine do segundo engenheiro. Parte do espaço não ficou completamente alagada e formou uma bolsa de ar com cerca de cinco a seis metros cúbicos.
Para permanecer respirando, Okene arrancou metal de uma ventilação, encontrou lanternas e improvisou uma corda com tiras de macacões. Também desmontou painéis de madeira para construir uma plataforma e manter parte do corpo fora da água. Durante o período no escuro, encontrou uma lata de sardinha e uma Coca-Cola.
O resgate dentro do casco
Os mergulhadores da DCN Diving chegaram ao Jascon 4 para recuperar corpos, pois não havia sinais de sobreviventes. Nico van Heerden avançava pelos corredores alagados quando viu uma mão na água. Ele se aproximou pensando ter encontrado outra vítima, mas os dedos se fecharam sobre sua luva.
A câmera presa ao capacete registrou o momento em que Okene foi localizado. O cozinheiro recebeu equipamento de mergulho e foi levado até uma campânula. Como uma subida rápida poderia provocar doença grave da descompressão, ele passou cerca de três dias em uma câmara de recompressão, com redução gradual da pressão. A equipe também relatou sinais de intoxicação por dióxido de carbono.
Só depois do procedimento Okene soube que os outros 11 homens a bordo haviam morrido. Nos meses seguintes, teve pesadelos e pensou que não voltaria ao mar. Dez anos depois do naufrágio, contou ao The Guardian que trabalhava como mergulhador profissional em instalações de petróleo e gás e conseguia descer até 50 metros.







